quarta-feira, 10 de abril de 2013

Coréias em Guerra?

O assunto do momento na imprensa internacional é uma possível guerra na península coreana entre Coréia do Norte contra a Coréia do Sul e seus aliados EUA e Japão. Hoje mesmo, 10/04/2013, os norte-coreanos ameaçaram acabar com o Japão.

Existe, afinal de contas um risco assim tão grande de um conflito armado ou é tudo encenação do ditador norte-coreano Kim Jong-un? 

Uma coisa é certa. Toda essa situação é perfeita para a imprensa dar uma faturada, certo? Portanto devemos dar menos ouvidos à imprensa e estarmos mais atentos ao histórico da coisa e à quem sabe mesmo do assunto, pois tenho lido e assitido uma quantidade imensa de bobagens a respeito. 

Não sou especialista em política externa, militar nem nada, mas gosto de me manter bem informado. Já acompanho essa questão da Coréia do Norte faz um tempo e busco informações em outras fontes que não as agências de notícias oficiais. 

Antes de mais nada, um resumo para que se entenda a situação na península coreana:

1 - 1945: Até o fim da 2ª Guerra Mundial, existia apenas um país chamado Coréia. Com o final da guerra, o país foi dividido em 2 zonas de ocupação, sendo a região norte, sob a ocupação da União Siviética e a região sul sob ocupação dos EUA. Em 1948 são criados os 2 novos estados, Coréia do Norte e Coréia do Sul, na altura do paralelo 38.

2 - 1950: Após a saída das tropas americans e soviéticas da península (1948-1949), a Coréia do Norte, simulando jogos de guerra e exercícios militares, ultrapassa o paralelo 38 e invade a Coréia do Sul,  praticamente inteira e de maneira muito rápida. Com quase a totalidade de seu território tomado pelos comunistas, a Coréia do Sul pede socorro à ONU, que pede aos EUA para interceder. Os americanos mandam para resolver o problema seu comandante mais respeitado, o General Douglas MacArthur, que adotando uma estratégia extrememente ousada, expulsa os invasores, os empurrando de volta até o limite do paralelo 38, libertando assim a Coréia do Sul. Durante o conflito a China entrou na guerra ao lado da Coréia do Norte. Durante os 3 anos da guerra, 3,5 milhões de civis foram mortos.

3 - 1953: Um armistício suspendendo os combates foi assinado, criando uma zona desmilitarizada justamente na altura do paralelo 38. O acordo de cessar-fogo, no entanto, não significou um tratado de paz, mantendo o clima de tensão entre os 2 países desde então. Técnicamente as duas Coréias nunca deixaram de estar em guerra, apenas não há o conflito armado.

4 - 1993: A Coréia do Norte começa seu desenvolvimento de armas nucleares sem permissão, debaixo do nariz do presidente americano de turno, o democrata bobalhão Bill Clinton. Durante os anos de sua administração (1993-2001), Clinton desistiu várias vezes de realizar exercícios militares em conjunto com seus aliados sul-coreanos, por pressão e ameaças do ditador Kim Jong-Il. 

5 - 2003: Abril. A Coréia do Norte afirma que possui armas nucleares.

6 - 2007: Fevereiro. As duas Coréias, EUA, Rússia, Japão e China assinam um acordo para fechar as instalações nucleares norte-coreanas, em troca de ajuda energética e econômica.

7 - 2007: Outubro: Os líderes das duas Coréias assinam uma Declaração de Paz para a desnuclearização.

8 - 2006: Outubro. A Coréia do Norte realiza seu 1º teste nuclear, com uma bomba com uma força menor do que 1 quiloton (cada quiloton representa 1.000 toneladas de dinamite).

9 - 2009: Maio. A Coréia do Norte realiza seu 2º teste nuclear, dessa vez com uma bomba com força entre 2 e 8 quilotons.

10 - 2013: Fevereiro. A Coréia do Norte realiza seu 3º teste nuclear. A bomba tinha entre 6 e 7 quilotons. 
 
11 - 2013: Março. A Coréia do Norte anula unilateralmente o pacto de não agressão, cortando também a linha direta de comunicação com Washington e Seul. 

Com a realização de exercícios militares dos exércitos da Coréia do Sul e dos EUA, bem como as sanções impostas ao país após a realização de seu 3º teste nuclear, a Coréia do Norte está falando grosso e ameaçando como sempre faz. Alguns analistas e jornalistas afirmam que dessa vez o tom das ameaças subiu, tanto é que ambos os países da península coreana se encontram em estado de alerta máximo.

Certo. Mas afinal de contas, o que quer o ditadorzinho norte-coreano? Aí existem várias possibilidades. Alguns entendem que, como seu maior espectador é seu povo, ele estaria agindo assim para impressionar tanto a população, como os militares que não botam muita fé nele, já que até a morte de seu pai, Kim Jong-Il, ele não havia feito nada a não ser subir rapidamente as carreiras do exército, algo nunca visto com bons olhos por militares de verdade.

Outra alternativa é a de que esteja precisando de dinheiro, só para variar. Seria um sistema simples de extorsão, que já foi efetivo algumas vezes, mas agora os extorquidos resolveram responder na mesma moeda. Como todo país comunista e fechado, a Coréia do Norte é um lugar miserável com uma economia praticamente inexistente. Seu PIB de 2011 foi de ridículos U$ 12,4 bilhões de dólares. A Coréia do Sul, um dos países mais desenvolvidos do mundo teve U$ 1,12 trilhão, a colocando como a 13ª economia mundial. Só para ilustrar, o PIB brasileiro do mesmo período foi de U$ 2,48 trilhões.

Uma imagem vale mais do que mil palavras, certo? Veja a foto abaixo:

Divulgação/Nasa/GFSC/AFP
 
É uma foto de satélite que mostra a península coreana durante a noite. Veja a disparidade entre o sul, todo iluminado e o norte, com um ponto de luz somete ao redor da capital Pyongyang. Isso diz muita coisa.

A Coréia do Norte depende quase que exclusivamente da ajuda de seu amigo rico, a China. Mas ela, ironicamente, sobrevive também graças a ajuda de sua maior inimiga, a Coréia do Sul, que juntamente com a China é o maior doador de alimentos para os norte-coreanos.

Mas afinal, existe ou não a possibilidade de guerra?

Como escrevi anteriormente, não sou especialista em relações internacionais, mas aposto que não vai haver guerra nenhuma.

Vejamos:

Existem 2 possibilidades de guerra a serem deflagradas pelos norte-coreanos. Uma guerra convencional ou nuclear.

Em 1º lugar, analisemos a hipótese de guerra convencional 

Todos sabem que a Coréia do Norte tem um grande efetivo e um grande arsenal. Acontece que seus equipamentos e tecnologia estão muito defasados, pois, como foi demonstrado claramente, mesmo destinando grande parte do seu PIB para a área militar não daria para fazer muita coisa, já que seu PIB é muito pequeno, sendo praticamente metade do PIB do Paraguai. Por outro lado, a Coréia do Sul também investe pesado em áeras militares, tendo muito mais possibilidade de desenvolvimento tecnológico. E mais, sendo aliado dos EUA, o país tem acesso à equipamentos, treinamento e tecnologia americanos. 

De qualquer forma, a Coréia do Norte precisaria do apoio chinês. Ocorre que mesmo a China não tem nenhum interesse nesse conflito ou em outra coisa que possa desestabilizar a região. Além do mais, a China também condenou a atitude norte-coreana e não aceita o descumprimento das resoluções da ONU. Outro ator nesse cenário seria a Rússia, que também tem se mantido distante e, provavelmente, também não entraria nessa, pois, sabe que é uma causa perdida. Nesse caso, a Coréia do Norte teria que ecarar a do Sul sozinha. Mas, ao contrário de 1950, os sul-coreanos estão muito bem preparados e armados, tendo totais condições de vencer sozinhos uma guerra convencional contra seus vizinhos do norte. Isso não quer dizer que tal fato não seria desastroso também para a Coréia do Sul, pois um bombardeio, mesmo que com armas tradicionais, poderia afetar seriamente sua economia, destruindo seu parque industrail que fica quase todo ao redor de Seul, que fica a 200 km de Pyongyang e apenas 40 km da zona desmilitarizada.

Guerra nuclear.

E se a coisa progredir para a solução nuclear? Aí, provavelmente os EUA devem entrar na jogada. Estimativas mostram que a Coréia do Norte possui algo em torno de 10 artefatos nucleares. Os EUA tem 7.700. O caso, é que as bombas nucleares da Coréia do Norte são estacionárias. Eles não tem tecnologia para dispará-las em foguetes ou mísseis. Fica então a hipótese de que para explodir a Coréia do Sul, a Coréia do Norte deve se explodir também. 

Deve-se acreditar nesse caso em uma pronta resposta americana, também nuclear. Sendo assim, os EUA teriam imensa facilidade em simplesmente varrer a Coréia do Norte do mapa, pois, para se ter uma ideia, apenas uma das máquinas de guerra americana, os submarinos da classe Ohio, tem capacidade para transportar e disparar 24 mísseis nucleares, cada um deles com 8 ogivas nucleares tele-guiadas, o que seria mais que suficiente para transformar em pó as 5 maiores e mais importantes cidades norte-coreanas. Isso sem contar com os porta-aviões classe Nimitz, capazes de transportar 90 aeronaves de combate. Existem 10 desses. E isso é só a Marinha.

Me diga quem pode se opor à tamanho poderio militar?

Ingresso da China e Rússia em uma guerra nuclear contra os EUA e a favor da Coréia do Norte? Para que? Quem ganha com isso? Pouco provável.

Por essas razões que acho pouco provável uma guerra na região. Se eu sei das informações acima, que dirá os líderes norte-coreanos.

O problema é que seu principal líder, Kim Jong-un não é um ser humano normal, mas um palhaço delirante que vive totalmente fora da realidade. O povo norte-coreano, totalmente cerceado de informações e alheio ao que ocorre no mundo, acha que, em caso de guerra, seriam vencedores.

Minha opinião é a de que não haverá guerra, mas a maioria das guerras foi originada por acidentes, erros de cálculos ou de percepção.

Vamos ver o que acontece na sequência.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Discoteca Básica de Rock Volume XIV

Faltando apenas 10 discos para o encerramento da Discoteca Básica, hoje volto a um gênero que já abordei, mas entendi que merecia mais um post. O hard rock. Já havia dito na ocasião, que não iria destrinchar gênero em seus vários subgêneros, como o heavy metal, etc.

Os 5 de hoje são:


Deep Purple - Deep Purple in Rock (1970)

In Rock, estabeleceu a característica sonora do Deep Purple em sua formação clássica, contando com Ian Gillan nos vocais, Ritchie Blackmore na guitarra, Ian Paice na bateria, Jon Lord nos teclados e Roger Glover no baixo. Foi com essa formação que mais tarde lançariam o clássico Machine Head, da imortal Smoke on the Water. Com esse disco, o Purple mostrou sua maturidade e provou que não estava para brincadeiras. É desse disco uma de suas melhores composições, o tour de force Child in Time, uma música magnífica, e certamente o melhor momento individual de Ian Gillan à frente dos vocais da banda. 



Black Sabbath - Master of Reality (1971) 

É o seguinte: os 6 primeiros discos e que marcam a época de glória do Black Sabbath são ótimos. Já havia comentado um deles aqui, justamente o 1º, Black Sabbath. Poderia ter falado de qualquer um dos outros, sendo minha escolha puramente pessoal. Muita gente entende que Paranoid é o melhor trabalho deles e, talvez, seria o mais indicado para estar aqui, mas gosto mais de Master of Reality. Para mim é um disco mais adulto, bem elaborado e experimental, principalmente por conta das variações do guitarrista Tony Iommi, o que resultou em uma sonoridade mais densa e pesada. É um grande disco.



Motörhead - Ace of Spades (1980)

Totalmente centrada na figura de seu lendário líder/vocalista/baixista/compositor Lemmy Kilmister, o Motörhead é certamente uma das bandas mais barulhentas da história do rock. Fazendo um som muito característico, os caras conseguiam unir muito peso à muita velocidade, criando assim uma sonoridade única e imediatamente reconhecível. Depois de vagar por algumas bandas desde 1964, Lemmy acabou, em 1971 sendo contratado pela banda de hard progressivo Hawkwind para ser seu baixista durante apenas 6 meses. Acabou ficando 4 anos e foi o compositor do maior sucesso do Hawkwind, a ótima Silver Machine. Lemmy foi chutado do Hawkwind em 75 depois de ficar preso por 5 dias na Califórnia por posse de drogas. O nome Motorhead, Lemmy tirou da última música dele composta para o Hawkwind. A formação com Lemmy no vocal e no baixo, seu amigo e músico amador, o baterista Phil "Philthy Animal" Taylor e o ex-guitarrista do Blue Goose "Fast" Eddie Clarke, é considerada hoje como o período clássico do grupo. É dessa época o disco Ace of Spades.

Com Ace of Spades, seu 4º trabalho, eles atingiram um pico de popularidade na Inglaterra em 81. A faixa-título é uma das marcas registradas do grupo e também o define perfeitamente. É considerado também como o melhor disco dos caras. Com certeza um disco muito importante dentro do gênero hard rock.



Iron Maiden - The Number of the Beast (1982)

Uma das bandas mais importantes e influentes do gênero hard/heavy. O Iron Maiden influenciou e continua influenciando muita gente. Embora não tenham conseguido o devido sucesso nos EUA (suas músicas eram consideradas como satanistas), em vários outros países são objetos de adoração, inclusive aqui no Brasil, onde os caras tem uma legião de fãs. Não tem muito o que falar deles que a maioria das pessoas já não saiba. A história da banda passou por várias fases e formações, porém sempre centrada no baixista Steve Harris. O vocalista Druce Dickinson só se juntaria ao Iron em seu terceiro trabalho, justamente The Number of the Beast, substituindo o anterior, Paul Di'Anno.

Além de ser um dos discos mais importantes do heavy metal, The Number of the Beast é o nascimento do Iron Maiden na forma como ele é hoje, justamente com a entrada de Bruce Dickinson e seu vocal poderoso, que deu novo rumo à banda. Realmente esse disco é bem diferente dos anteriores. Esse também foi o disco que alavancou sua carreira, chegando ao topo dos charts britânicos. Desempenhou também um papel importante junto aos fãs mais puristas, pois, como seu principal concorrente, o Judas Priest, deu uma guinada para o lado comercial, os puristas acabaram por recorrer ao Iron. É um trabalho muito bom, bem coeso e com músicas praticamente no mesmo nível desde o início até seu encerramento. 



Metallica - Master of Puppets (1986)

Outra das bandas de heavy metal mais influentes de todos os tempos. O Metallica foi o grupo que trouxe o metal de volta à Terra, pois, ao contrário de vários outros artistas do gênero, eles adotavam uma postura mais "da rua", deixando de lado aquela coisa de rockstars. São considerados os criadores de um dos sub-gêneros de hard-rock/heavy metal, o trash-metal, quando uniram velocidade ao volume. Mas se você pensar bem, o Motörhead já vinha fazendo algo semelhante, certo? Só que o Metallica conseguiu ser ainda mais barulhento. 

Master of Puppets, é sem dúvida a maior realização da banda e também é considerado sua obra-prima não só por fãs, mas também por vários críticos. Os temas recorrentes em suas faixas são basicamente o medo e a impotência que sente o ser humano. Não é bem meu estilo de som, mas reconheço a importância e influência.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Especialista de Final de Semana

Outro dia minha esposa quis, em virtude da comemoração de seu aniversário, ir a um restaurante específico aqui de Curitiba. É um local que vem ganhando muita notoriedade dentro de alguns círculos, devido à sua proposta e conceito diferentes e inovadores.

Como sou muito chato, além de crítico e irritado, antes de concordar em ir ao referido restaurante, resolvi realizar uma pesquisa prévia sobre o lugar, coletar algumas opiniões, etc.

Visitando alguns sites e blogs destinados a frequentadores locais, encontrei várias referências positivas e algumas negativas a respeito do meu objeto de pesquisa.

Devido à algumas características bem próprias desse restaurante, logo percebi uma tendência comportamental nos comentários de alguns de seus frequentadores.

Observei que, vários desses clientes que comentaram sobre o tal restaurante, claramente se colocavam em um patamar muito acima de meros frequentadores/clientes regulares. Se consideram pessoas extremamente refinadas e com muito bom gosto, pois somente alguém como eles teria plena capacidade e discernimento para conseguiu apreciar plenamente à complexidade de sabores e nuances apresentados nos pratos servidos pelo estabelecimento.

Meio confuso?

Dou um exemplo. Li várias opiniões, onde o indivíduo deixa sua opinião seguindo a seguinte linha de raciocínio: Esse não é um restaurante para pessoas que vão em restaurantes italianos (sejam caros ou baratos) e adoram aqueles pratos cheios de molhos de queijo, etc.

Sério, li algo do gênero.


Pergunto: por que não? O que impede alguém que goste de comida italiana (ou de qualquer outra nacionalidade), conseguir apreciar os pratos realmente diferentes servidos nesse restaurante em questão? E se o cara gostar de comer costela então? Certamente não estaria qualificado nem para passar na porta.

A maioria dos comentários seguia essa linha, desqualificando de maneira totalmente sem sentido "os outros" que não gostaram desse local "diferenciado".

Só quero deixar claro aqui que isso se trata de opiniões idiotas de frequentadores idiotas, não havendo qualquer relação com o estabelecimento em si, sua administração e atendimento que são extremamente corteses, preparados e profissionais.

Ainda, durante minha pesquisa, verifiquei a existência de inúmeros pretensos "especialistas" em alta-gastronomia, culinária de vanguarda e suas técnicas inovadoras. Me deparei com várias pessoas discorrendo sobre temas como culinária molecular, cozinha autoral, culinária técno-emocional e um monte de outras besteiras que só interessam mesmo para quem faz a coisa acontecer. 

Chamei essas pessoas de "especialistas de final de semana". Você conhece o tipo. É um mané qualquer que leva uma vida igual a todos, porém se acha "diferenciado". É sempre um cunhado, primo, vizinho ou outro babaca qualquer que foi uma única vez em determinado local ou experimentou uma única vez determinado produto e sai narrando sobre o mesmo como se fosse especialista no assunto, adotando uma postura de superioridade que não tem nenhum respaldo. É o mesmo tipinho do chato do vinho, de quem, aliás, já tratei anteriormente aqui

Nada pior do que alguém que você acha um imbecil vir te dar "aula" sobre determinado assunto como se o imbecil despreparado ali fosse você.

Algo assim:  

"- Ah, isso não é para qualquer um. Quem vai em churrascaria não vai apreciar direito." 

Em sua tradução literal teríamos o seguinte:  

"- Ah, você é muito grosseiro, muito burro. Diferentemente de mim, não tem a sensibilidade nem o refinamento necessários para apreciar tamanha complexidade."

Já passou por situação semelhante?

Noto que esse comportamento está ficando cada vez mais comum aqui em Curitiba. E isso é em relação a vários assuntos. As pessoas querem afetar uma sofisticação que não tem. 

Mas afinal de contas, qual é o problema com essas pessoas?

Normalmente, o "especialista de final de semana" é um burro ignorante que não consegue ter opinião própria sobre nada, sendo que o que diz ou faz é, invariavelmente, mera repetição do que outros já disseram ou fizeram. Nem mesmo se dá ao trabalho de pensar no que diz. Apenas despeja suas bobagens decoradas.

Normalmente sua opinião está em conformidade com a última coisa que acabou de ler ou tomar conhecimento. É facilmente influenciável, desde que entenda que determinada atitude ou informação também é "diferenciada", o que dá ainda mais corda ao "especialista". 

Gosta de se relacionar com outras pessoas assim como ele e, quando se depara com um "pobre diabo"  que criticou a sua opinião, argumenta que não tem seu refinamento e gosto apurado, imediatamente se coloca a explicar sobre como são as coisas e o que vale a pena, mesmo achando que o "pobre diabo" jamais terá capacidade de absorver plenamente sua transmissão de conhecimentos. Na verdade é melhor assim, pois nosso especialista entende que o "pobre diabo" não merece ter acesso a certas informações, devendo tais informações ficarem restritas a certos círculos e não serem divulgadas por aí por qualquer um.  

P.S. O restaurante em si que mencionei aqui não vem ao caso. Falarei dele futuramente em momento oportuno.

   

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Guia Básico de Cinema Capítulo XVIII

Faltando apenas 15  filmes ou 3 postagens sobre o Guia Básico de Cinema, falo hoje de 5 filmes que já queria ter mencionado. São 4 estrangeiros e 1 americano. Dos estrangeiros, você vai notar que 3 são do mesmo diretor, tornando essa lista de hoje bem diferente das demais, onde, na maioria, procurei seguir um padrão.

São eles:


Ivan, O Terrivel - Ivan Groznyy (Sergei Eisenstein - 1944)

A partir de sua coroação como o 1º Czar da Rússia, Ivan Vassiliévitch, o grão-duque de Moscou, tem que lutar incessantemente contra seus inimigos boiardos que, em meio a uma infinidade de tramas e traições, tentam a todo custo sabotar seu reinado e apeá-lo do trono. Ao mesmo tempo em que batalha com seus inimigos internos, Ivan procura bater os externos que vivem em suas fronteiras, para assim, unir vários principados em um único e grande país, a pátria russa.

Vamos falar a verdade. Ivan, O Terrível é um filme muito difícil de se assistir. Seuss atos, que na verdade são bem poucos, se passam de maneira muito lenta. Há somente uma cena de batalha, em que é possível ter alguma coisa parecida com ação. Mas mesmo assim, o filme está em qualquer listagem séria com os 100 melhores de todos os tempos. Por que isso? Apesar do filme ser complicado e arrastado, a história é boa e interessante, mas o que realmente consagra o longa é a direção magistral de Sergei Eisenstein. Não é a toa que é considerado um gênio da 7ª arte. Outro filme seu muito famoso, o Encouraçado Potemkin, é considerado como um dos 5 maiores de todos os tempos, provando que Eisenstein não é reverenciado à toa. Aqui, os cenários são enormes e suntuosos e mesmo o filme sendo muito antigo e em preto e branco é possível perceber claramente a riqueza de detalhes nos ornamentos e a riqueza dos figurinos. Agora, as técnicas de filmagem usadas por Eisenstein são únicas. É  aqui que o filme se destaca sobre os demais. O diretor usa cortes e planos simplesmente inacreditáveis, abusando de maneira espetacular de closes impressionantes nos personagens, combinados com um jogo magistral de luzes e sombras. É maravilhoso.

Existe uma parte 2 para o filme, que só foi lançada em 1958, devido a uma proibição de Stalin, por entender que seu conteúdo era anti-comunista e crítico a ele. Quando foi informado que a parte 2 de seu filme não poderia ser lançada por ordem do próprio Stalin, Sergei Eisenstein desligou o telefone e teve um ataque cardíaco fulminante que o matou. A ideia era para ser uma trilogia, porém o 3º e último filme nunca foi produzido, deixando a obra incompleta.


Os Sete Samurais - Schichinin no Samurai (Akira Kurosawa - 1954)

Um samurai veterano que enfrenta tempos difíceis responde ao apelo de alguns pobres camponeses para proteger sua vila que vem sendo constantemente atacada por bandidos. Para isso, ele precisa unir um grupo em prol da empreitada, convocando assim mais 6 ex-samurais para lutar a seu lado, bem como ensinar aos camponeses a se defender e proteger sua vila.

Embora a estória contada em Os Sete Samurais seja muito boa, ela certamente já deve ser velha conhecida de muitos, pois foi refilmada em 1960 por John Sturges com o nome de Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), um dos westerns mais conhecidos e clássico absoluto do cinema. Aliás, pelo menos mais um filme de Akira Kurosawa foi refilmado como western, como verão abaixo. Embora seja um filme muito longo, com 208 minutos, ele é tão bem montado e a estória tão bem amarrada que o tempo parce correr. Quando percebemos, já estamos na maravilhosa cena final onde a vila é atacada por 40 bandidos e os samurais lutam na chuva, em uma das mais belas sequências do já filmadas.


Yojimbo, O Guarda-Costas - Yôjimbô (Akira Kurosawa - 1960)

Sanjuro (Toshirô Mifune), um ronin (samurai desgarrado, sem mestre) chega em uma cidadezinha do Japão rural no século 19. Lá ele percebe que 2 mercadores rivais se enfrentam constantemente. Sanjuro percebe uma chance de lucrar com a situação, jogando um lado contra o outro. A situação começa a ficar ruim para Sanjuro quando retorna à cidade Unosuke, filho de um dos chefes em conflito e que possui um revólver. Após Sanjuro resgatar e reunir com seu marido e filho uma mulher que era abusada pela gangue de Unosuke, esse manda seus capangas espancarem Sanjuro, que só escapa da morte devido ao coveiro local que o resgata e o trata. Ao saber que o coveiro também havia sido vítima dos abusos cometidos por Unosuke, Sanjuro decide voltar e confrontar seu inimigo.

Outro filme simplesmente fantático do mestre Akira Kurosawa, e outro que também foi levado às telas mais tarde como western. Dessa vez foi pelo diretor italiano Sergio Leone, com seu clássico e 1º filme da trilogia do homem sem nome estrelada por Clint Eastwood, Por Um Punhado de Dólares, de 1964. O mais interessante é observar o dilema que vive o personagem principal Sanjuro. Como um ex-samurai ele é extremamente habilidoso. Na cidadezinha, não há ninguém que possa lhe fazer sombra. Então, embora ele acabe obtendo vantagens com a disputa entre os 2 "donos" da cidade, ao mesmo tempo isso lhe serve de diversão e passa tempo, pois se envolve em algumas lutas sangrentas contras os homens dos mercadores. Acontece, porém, que ele acaba se encontrando no meio de uma situação estranha, pois percebe que, ao invés de simplesmente lucrar com a condição em que se encontra a cidade, tem a chance de fazer algo útil e  limpar a cidade dos malfeitores, acabando com os constantes banhos de sengue que já se tornaram corriqueiros. Ótimo filme e boa introdução à obra desse genial diretor.


Um Estranho no Ninho - One Flew Over the Cukoo's Nest (Milos Forman - 1975)

R.P. McMurphy (Jack Nicholson) já tem um passado criminoso e, mais uma vez está com problemas com a lei. Para sair da enrascada e não ser preso, alega insanidade e é mandado para um hospital psiquiátrico para cumprir pena. Lá ele logo se torna paciente e testemunha dos métodos brutais e abusivos empregados aos pacientes pela diabólica enfermeira Ratched (Louise Fletcher). McMurphy e os outros detentos se unem para uma rebelião contra a opressiva enfermeira.

As atuações dos 2 atores principais e antagonistas, Jack Nicholson e Louise Fletcher foram tão boas que ambos ganharam o Oscar por seus respectivos papéis. Ao todo, Um Estranho no Ninho recebeu 5 Oscars, incluindo melhor direção e melhor filme. A atuação de Louise Fletcher como a sádica enfermeira Ratched é magnífica, colocando sua personagem em qualquer lista dos 10 melhores vilões de todos os tempos. O livro homônimo de Ken Kessey, no qual o filme foi baseado, é fruto de uma experiência pessoal do escritor, do período em que trabalhou no centro psiquiátrico Agnew, na Califórnia. Um Estranho no Ninho é um dos 3 únicos filmes a ganhar os 5 prêmios principais do Oscar. Os outros são Aconteceu Naquela Noite, de 1935 e O Silêncio dos Inocentes de 1992.


Ran - Ran (Akira Kurosawa - 1985)

Japão feudal, século XVI. Hidetora (Tatsuya Nakadai), o poderoso chefe do clã dos Ichimonjis, decide dividir em vida seus bens entre seus três filhos: Taro Takatora (Akira Terao), Jiro Masatora (Jinpachi Nezu) e Saburu Naotora (Daisuke Ryu). Com o primeiro fica a chefia do feudo, as terras e a cavalaria. Os outros dois ficam com alguns castelos, terras e o dever de ajudar e obedecer Taro. No entanto, Hidetora exige viver no castelo de alguns deles, manter seus trinta homens, seu título e a condição de grão-senhor. Mas Saburu, seu predileto, prevendo as desgraças que viriam com tal decisão, se mostra contrário à decisão paterna. Assim é expulso do feudo e acaba sendo acolhido por Nobuhiro Fujimaki (Hitoshi Ueki), que se mostra impressionado com sua decisão de contrariar o pai e casa-o com sua filha. Hidetora vai ao seu castelo, que agora é de Taro, e não é bem recebido, pois seu primogênito é encorajado por Kaede (Mieko Harada), sua mulher, para ter liberdade para tomar decisões e chefiar o feudo. Kaede quer vingar a morte dos pais, que foram mortos por Hidetora em um incêndio, e guarda muito rancor e igual rejeição. Hidetora sente isso quando vai ao castelo de Jiro e assim se vê isolado em seu ex-império e bem próximo da insanidade. 

Kurosawa nos trás novamente de maneira maravilhosa o Japão feudal. Ran é baseado em Rei Lear, de William Shakespeare e, embora seja um dos últimos trabalhos de Kurosawa é certamente um de seus melhores. As cenas são belíssimas, principalmente as de batalha, com toda movimentação dos exércitos etc. Se você quiser assistir a apenas um filme de Akira Kurosawa durante toda sua vida, sugiro Ran.

Curiosidades:

- Durante 10 anos Akira Kurosawa planejou cada cena de Ran, preparando storyboards que mostravam como cada cena deveria ser rodada;

- Na época do início das filmagens de Ran a visão de Kurosawa já estava bastante prejudicada, o que o impedia de rodar sozinho as cenas do filme. O diretor contou então com o auxílio de diversos ajudantes, que se basearam nos storyboards já prontos para preparar cada cena do filme;

- Várias das centenas de figurinos utilizados em Ran foram criados a mão, num processo que levou dois anos para ser concluído;

- Ran utilizou cerca de 1400 extras e 200 cavalos, sendo que muitos deles tiveram que ser importados dos Estados Unidos para a realização do filme;

- O castelo destruído durante Ran foi realmente construído pela equipe de filmagens próximo ao Monte Fuji, tendo posteriormente sido destruído nas próprias filmagens;

- A versão alemã de Ran corta praticamente toda a batalha que ocorre no meio do filme, por considerá-la violenta demais para o público.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Brasil, um País de Tolos!

Já percebeu que, os canais de TV por assinatura, começaram, aparentemente sem mais nem menos, a exibir programas com conteúdo nacional? Não? Se sim, o que achou da novidade? Aposto que tem gente que gostou e outros que detestaram. Não é questão de preconceito com o conteúdo nacional ou o velho complexo de vira-lata do brasileiro. A questão aqui é o porquê de agora esses programas estarem no ar. 

Seria um reconhecimento ao talento dos produtores brasileiros e suas obras? Finalmente o telespectador estaria dando o merecido valor à produção nacional e deixando de lado velhos preconceitos? Ou seria outra, a real razão desses programas estarem sendo exibidos em horário nobre?

Já chego lá.

Antes, gostaria de dar como exemplo, 2 desses programas que estão indo ao ar em canais distintos e com propostas totalmente diferentes um do outro. Um está sendo exibido no Warner Channel e o outro no History Channel. Assim como os programas, seus respectivos canais de transmissão também são bem diferentes entre si. No Warner, está indo ao ar um programa chamado Vida de Estagiário. É para ser uma sitcom nos moldes nos tão odiados - por alguns - enlatados americanos, tratando do dia a dia de um estagiário em uma grande agência de publicidade. Acontece que é feito no Brasil. Aí é que a coisa complica. Assista o trailer e diga o que achou. Ridículo, não? Mal feito, chato, bobo e forçado ao máximo, com personagens caricatos e humor pastelão. 

Não que seja impossível fazer algo bem feito por aqui. Quem assistiu às séries Filhos do Carnaval e Mandrake, que passaram na HBO, sabe que dá sim para se fazer coisas interessantes com ótima qualidade, como bem demonstra o outro programa que citarei.

O outro programa é exibido pelo History e chama-se CAOS (com o último S ao contrário). Diferentemente de Vida de Estagiério, é bem feito, interessante e tem uma proposta totalmente diferente. Aqui, é contada a rotina da CAOS. CAOS é uma loja/sebo/brexó/mercado de pulgas localizada na Rua Augusta em SP e que é tocada por Tibira e sua amiga Carrô. Durante o dia, a loja funciona normalmente, com pessoas comprando e vendendo praticamente de tudo, desde discos de vinil de novelas até móveis antigos. À noite, CAOS vira balada, bazar, ponto de encontro, etc. Confira aqui um trecho do 1º episódio que foi ao ar. Que tal? Sem comparação com Vida de Estagiário, certo? Muito mais bem feito, melhor produzido e com uma temática muito mais interessante e rica.

Agora a verdade. Por que, afinal de contas, os canais pagos estão exibindo esses programas? Simples. Porque são obrigados. Isso mesmo. Os canais estão sendo obrigados por lei a exibir conteúdo nacional.

Se não acredita em mim leia aqui a íntegra da Lei 12.485/2011. 

É mais uma vez o estado se metendo onde não é chamado e querendo definir o que as pessoas devem assistir, restringindo em doses homeopáticas nossos direitos e liberdades.

A referida lei, entre outras coisas, dispõe sobre a obrigatoriedade da veiculação de conteúdo nacional na grade de programação das TVs por assinatura. Estão desobrigados dessa ingerência os canais esportivos e de jornalismo. Todos os outros devem passar, por enquanto, um mínimo de 2hrs e 20 min semanais de conteúdo nacional. E a coisa não para por aí. Tal conteúdo não pode ser transmitido no horário que a direção do canal julgar o mais adequado. Deve ser exibido em horário nobre, que, segundo os critérios adotados vai das 18 às 24 horas. Legal hein? Tudo isso, devidamente "patrocinado" pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), ou seja, com o dinheiro público.

De acordo com a Ancine, tal lei foi discutida durante 5 anos, em um processo no qual todos os interessados foram ouvidos pelos representantes do povo brasileiro. Que diabos isso quer dizer? Eu sou um interessado no assunto. Assino TV mas não fui consultado. Ah, já sei! Os interessados devem ser as empresas que produzem audiovisual, quem vai exibir, quem vai atuar, sindicatos etc. Então me encaixo do outro lado. No povo brasileiro. Da mesma maneira não fui ouvido. Aliás, ninguém que conheço jamais foi ouvido nessas questões que envolvem "representantes da sociedade civil". Acho que entendi essa também. Fala-se aí em "representantes" do povo brasileiro. Então devem ser os nobres deputados que são por nós eleitos para nos representarem. Agora faz sentido.

Ainda, segundo a Ancine, um dos objetivos da lei é "aumentar a produção e a circulação de conteúdo audiovisual brasileiro, diversificado e de qualidade, gerando emprego, renda, royalties, mais profissionalismo e o fortalecimento da cultura nacional". Preste atenção neste trecho: "... gerando emprego, renda royalties...". Emprego, renda e royalties para quem mesmo? Ah, claro. Para os apadrinhados e para a turminha de sempre, que tem seus filmes que ninguém assiste financiados com dinheiro público que, mesmo sem apresentar qualquer resultado positivo, servem-se descaradamente e novamente de mais dinheiro público para financiar outros filmes que ninguém vai assistir.

Quer um exemplo? Ano passado, o cinema brasileiro lançou 82 títulos. Desses, apenas 3 ultrapassaram a marca de 1 milhões de espectadores: as comédias "E aí, comeu?", "Até que a sorte nos separe" e " Os Penetras". Ótimo resultado, sem dúvida. Acontece que das 82 produções, 11 não chegaram à 1.000 espectadores. O filme "Expedicionários" não chegou a 100 espectadores, ficando em 98. 

Os casos mais escabrosos são dos filmes financiados pelo Ministério da Cultura para os mega-devedores clubes de futebol. Segundo a Ancine, o filme "Santos. 100 Anos de Futebol-Arte" foi agraciado com R$ 1,2 milhão, porém teve apenas 691 espectadores, o que lhe garantiu a renda pífia de R$ 7.719. O problema é que a mesma produtora, a Canal Azul, já havia recebido anteriormente R$ 2,2 milhões para realizar o filme "Todo Poderoso. O Filme. 100 Anos de Timão", sobre o Corinthians, sendo visto por 1.437 pessoas e arrecadando apenas R$ 16.505. Agora, o Ministério da Cultura, sob a regência da "genial" Marta Suplicy já liberou R$ 2,3 milhões para um filme sobre o Palmeiras. Nada contra o futebol ou os times mencionados. Aqui a questão é outra. Poderia ser qualquer assunto que seria absurdo igual. Como você notou, uma mesma produtora, que foi financiada com dinheiro público, mesmo tendo produzido um imenso fracasso que não chegou nem perto de cobrir seu custo, foi agraciada novamente com mais dinheiro público para produzir novo fracasso. É brincadeira. E isso acontece constantemente. Ao que tudo indica, a única exigência para se conseguiu a grana dos contribuintes é fazer parte da panelinha. Então fica tranquilo. Tem financiamento de sobra e não precisa prestar contas e nem apresentar resultados positivos. Se o filme fracassar, paciência. Culpa dos espectadores que não entenderam a grandeza da obra ou então dos malvados exibidores que disponibilizaram um número muito pequeno se salas de cinema. 

Imagine se isso aconteceria em um país civilizado.

Voltando aos canais pagos com conteúdo obrigatório, a meta do governo é que, dentro de 3 anos, a exibição de conteúdo nacional seja no mínimo de 3hrs e 30 minutos semanais, sempre em horário nobre, é claro. Vamos chegar a um ponto onde não vai adiantar nem mudar o canal, pois no outro também estará passando alguma porcaria.

É claro que existe uma chance remota de que mais produções de boa qualidade como o CAOS sejam exibidas, mas a probabilidade maior é de que o nível seja baixo e a qualidade duvidosa como a de Vida de Estagiário. 

O que você acha?


 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Discoteca Básica de Rock volume XIII

Contagem regressiva para o final da Discoteca Básica. Faltam apenas 15 dos 100 discos que me propus abordar aqui. Hoje trago alguns nomes que ainda não havia falado e outros que já foram abordados.

São eles:


David Bowie - Space Oddity (1969)

Originalmente realizado como Man of Words/Man of Music, Space Oddity foi sua 1ª reinvenção bem sucedida. Deixando de lado o estilo musical adotado até então em seus trabalhos anteriores, que em nada lembram Bowie em seus trabalhos subsequentes. Aqui, ele adota um estilo que pode ser definido como um psicodélico folk-rock leve, que pode ser observado tanto na faixa título como no decorrer do disco como um todo, que embora não seja tão coeso como Ziggy Stardust, mostra uma certa unidade e identidade musical relativamente bem definida.



Queen - News of the World (1977)

Os 8 primeiros discos de estúdio do Queen são realmente muito bons. Outro dia comentei seu maior clássico, A Night at the Opera e hoje volto com outro trabalho espetacular. Poderia ter optado por qualquer um dos outros, mas escolhi um dos meus favoritos, News of the World. O que dizer do disco que contém algumas das músicas mais famosas e também mais tocadas de todos os tempos como We Will Rock You e We Are the Champions? Mas o disco é muito mais do que isso, com uma variedade de estilos muito maior do que a encontrada em seu predecessor, A Day at the Races. Conseguindo alcançar um amplo espectro sonoro, desde a rocker Sheer Heart Attack até a ultra-melodiosa pop All Dead All Dead.



Eric Clapton - Slowhand (1977)

Quando lançou seu 1º disco solo em 1970, Eric Clapton já era extremamente conhecido e respeitado no cenário internacional do rock. Já havia participado de diversas bandas importantes, como Yardbirds, John Mayall's Bluesbakers, Cream, Blind Faith e Derek and the Dominoes. Estava, portanto totalmente estabelecido musicalmente. Clapton, dispensa maiores apresentações, pois é considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos, encabeçando praticamente todas as listas de melhores guitarristas, alternando entre o 1º e 2º lugar, sempre com Jimi Hendrix. 

Durante sua carreira solo, alternou bons e maus momentos e trabalhos. Ao que tudo indica, o uso de drogas foi crucial em sua carreira, quase decretando seu fim prematuramente. Escolhi seu 7º disco solo, Slowhand, para representá-lo, pois, é um trabalho muito bom e muito sólido musicalmente, visitando vários estilos e combinações musicais, indo desde o rock de Cocaine, passando pela bela Wonderful Tonight até o country de Lay Down Sally. É também um de seus discos mais conhecidos, com vários hits que são lembrados por todos até hoje.

Músicas-chave:  CocaineWonderful TonightLay Down Sally.


Talking Heads - Talking Heads: 77 (1977)

Formado no começo dos anos 70 pelos colegas de classe David Byrne no vocal e guitarra, Chris Frantz na bateria e Tina Weymouth no baixo, o trio era literalmente um punk de estudantes de arte. Em 76 se uniu a eles o tecladista/guitarrista Jerry Harrison e assim se formou o Talking Heads, que conseguiu a proeza de manter a formação original durante toda sua existência até 1991, quando o grupo acabou. 

Talking Heads: 77 é seu 1º trabalho e mais um ótimo disco de estréia. Foi largamente aclamado por seu rock sem frescuras, as letras intelectualizadas de Byrne, bem como seu vocal característico. Outra característica interessante em relação à esse disco é que a estrutura das músicas, apresenta várias mudanças de tempo em sua execução. É desse disco a famosa Psycho Killer, que apesar do tema, surpreendentemente chegou ao topo das paradas por algumas semanas e permanece até hoje como uma de suas músicas mais conhecidas. Apesar da boa recepção, o disco em si não foi comercialmente bem sucedido. De qualquer maneira, eles obteriam o devido reconhecimento mais tarde, principalmente por terem se arriscado e feito algo totalmente fora dos padrões da época.

Músicas-chave: No CompassionPsycho KillerPulled Up.


Dire Straits - Brothers in Arms (1985)

O Dire Straits e seu Brothers in Arms, juntamente com Dark Side of the Moon do Pink Floyd são minhas recordações musicais mais antigas e influentes que certamente definiram meu gosto musical e todo meu interesse, pesquisa e busca que realizei ininterruptamente durante toda minha vida. Bem, pelo menos a partir da adolescência. O fato é que Brothers in Arms é até hoje um dos meus discos favoritos, podendo ser considerado um novo clássico do rock. É também um dos trabalhos mais importantes da banda, ou pelo menos o seu maior sucesso comercial. O disco é extremamente popular e nem poderia deixar de ser diferente, já que é excelente. É outro exemplo de disco praticamente perfeito, onde todas as músicas são boas. Com certeza um dos fatores de seu sucesso foi Money For Nothing, uma crítica à MTV, mas o disco é muito mais que isso. Meu conselho é que seja ouvido interiramente, mas como sempre, selecionarei aqui apenas alguns de seus grandes momentos.


 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

GVT

Devido à qualidade cada vez pior do serviço de banda larga da GVT, hoje me foi impossível publicar qualquer coisa. Acontece que no período do dia em que tenho a possibilidade de escrever aqui, estava sem sinal, fato esse que vem ocorrendo sistematicamente durante certos períodos do dia, logicamente no período noturno, que é quando tenho mais tempo para os posts.

Mas não se preocupem. Quando registrei minha reclamação, hoje cedo, o suporte técnico da GVT me informou de maneira extremamente rápida e profissional que no prazo máximo de 24hrs, um profissional altamente qualificado virá ver o que está acontecendo e, caso seja verificado que o problema é mesmo da GVT e não em meus aparelhos, será efetuado o reparo ou troca do equipamento gratuitamente. Se for comigo o problema (não é, pois já trocaram esse maldito modem umas 8 vezes), serei cobrado em R$ 39,90, acreditam?

Quero saber se terei algum desconto em minha fatura pelo tempo que fiquei sem o acesso contratado. Evidentemente que não!   

Se a GVT conseguir me colocar "online", amanhã volto a postar normalmente.