quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Rápidas

 - Saiu finalmente o 1º ranking do UFC. Após o encerramento do evento desse sábado (UFC 156), foi divulgado hoje o ranking oficial da organização (aqui). A eleição dos melhores lutadores foi feita por 90 jornalistas especializados na cobertura de MMA e leva em conta tanto a série histórica dos lutadores como adversários enfrentados etc. Foi dividido em 2 partes, sendo que uma é a posição geral peso por peso sem levar em conta a categoria e outra, o ranking por categorias de peso.

No levantamento geral, nenhuma surpresa, com a lista sendo encabeçada por Anderson Silva. Na sequência, aparecem Jon Jones, Georges St-Pierre, José Aldo e Ben Henderson nas 5 primeiras posições.

O ranking por divisão de pesos deixa de fora os campeões de cada categoria e lista de 01 a 10 os outros lutadores mais importantes. A boa surpresa aqui é a presença de 4 brasileiros entre os top 10 dos pesados.

Entendo que essa é uma boa iniciativa, mostrando maior profissionalismo e transparência por parte da organização. O ranking é para melhor situar o público dentro de cada categoria e um indicador de confrontos futuros. No entando, o presidente do UFC, Dana White, já afirmou que super-lutas ou combates que não respeitem o ranking, mas que tenham forte apelo comercial poderão ser realizados mesmo assim.

Lendo comentários de leitores em alguns sites, percebi como a maioria das pessoas não tem nenhuma noção do assunto. Certamente começaram a acompanhar ano passado pela Globo. Muita gente não entendeu, por exemplo, como que Frankie Edgar que acabou de ser derrotado por José Aldo, aparece em 9º no geral e apenas em 4º em sua categoria. Isso se explica devido ao fato de Edgar ter baixado de categoria recentemente e ainda não ter série histórica nos pesos pena, tendo realizado e perdido apenas uma luta.

Na minha opinião, a única ressalva fica por conta das posições de Jon Jones e Georges St-Pierre, que entendo, deveria ser invertida.

 - Ainda no UFC, após a disputa de título entre Aldo e Edgar, alguns idiotas que não entendem nada do assunto, acharam que a vitória de José Aldo foi contestável, outros entendem que Edgar ganhou pelo menos 2 rounds e outros ainda mais burros acham que Edgar foi o vencedor. Um absurdo total, sendo que o próprio Edgar admitiu que José Aldo foi superior e venceu o combate. Dana White segue a mesma linha e não vê motivo algum para a polêmica.

OK, pode não ter sido o combate mais bonito e emocionante do brasileiro, mas o fato é que ele ganhou e bem. Não correu nenhum risco mais sério e dominou totalmente. Se você ainda não está convencido veja a foto abaixo:

Frankie Edgar depois de enfrentar José Aldo

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Faz sentido. Essa aí conta toda a história.    


  

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Discoteca Básica de Rock Volume VI



Prosseguindo com a discoteca básica, trago hoje 5 discos de bandas não muito conhecidas do grande público, mas que são muito bons e interessantes para diversificar e aprimorar o gosto dentro dos mais variados gêneros de Rock.

Os 5 de hoje são:

T-Rex – Electric Warrior (1971)

Liderado pelo carismático e criativo guitarrista/vocalista Marc Bolan, o T-Rex começou como uma banda direcionada para o folk-rock e se chamava Tyrannosaurus Rex. Quando mudou de nome, a banda também mudou radicalmente de direção musical, se tornando uma das primeiras referências do chamado Glam Rock. Enquanto outros nomes estavam fazendo álbuns mais elaborados e experimentais, Marc Bolan sempre manteve a ideia de fazer músicas de 3 minutos, orientadas ao pop. No começo dos anos 70 ele se tornou um ícone no Reino Unido, fazendo com que o T-Rex conseguisse emplacar vários Top 10 hits, além de 4 singles no lugar mais alto das paradas. Nos EUA não obtiveram o mesmo sucesso, alcançando apenas um hit no Top 10 daquele país.

A popularidade do T-Rex se manteve até 1977, quando Marc Bolan morreu. De astro do rock, emergiu como ícone Cult, provando que o T-Rex ainda é bem influente na cena rocker até hoje.

Escolhi Electric Warrior, que é o 2º disco dos caras, porque é um disco sensacional e foi o 1º deles que comprei. Me lembro de estar em uma loja escolhendo uns CDs e esse estava tocando no som da loja. Na época era bem mais novo e nem conhecia direito o T-Rex. Ouvindo ali na loja imediatamente me chamou a atenção e perguntei ao vendedor do que se tratava. Comprei na hora. É um disco praticamente perfeito. Apenas a última faixa não está no mesmo nível das demais.

Compre e ouça sem parar.

Grand Funk Railroad – On Time (1969)

Entre 1969 e 1973 essa grande banda americana lançou 7 discos de estúdio que podem ser considerados como estando todos no mesmo nível. Liderados pelo guitarrista e vocalista Mark Farner, o Grand Funk Railroad, apesar do nome, era basicamente uma banda de hard rock, e não tinha nada a ver com Funk (o verdadeiro, não aquela porcaria do Rio - que nem funk de verdade é e sim um lixo chamado Miami Bass Sound -  que se alastrou pelo país inteiro como uma praga). Apesar de algumas de suas composições terem uma leve levada funkeada, sua orientação era blues-rock pesado.

On Time é mais um dos grandes discos de estreia da história do rock. Aqui está tudo o que você precisa saber e ouvir para entender o som dos caras. Seu som é simples e poderoso. Sem frescura nem palhaçada. Todos os músicos tocam muito e Mark Farner arrebenta com seu vocal poderoso. Alguns críticos dizem que as letras de determinadas músicas desse trabalho são um pouco simplórias (algo que seria corrigido em seus trabalhos subsequentes), mas se isso é verdade ou não, não desmerece em nada esse ótimo e altamente recomendável disco.

Mais um daqueles para ser ouvido bem alto.

Músicas-chave: Are You Ready, Anybody's Answer, e Heartbreaker



UFO – Phenomenon (1974)

Outro grupo muito bom e não muito conhecido pela maioria dos brasileiros, o UFO é uma banda orientada para o hard rock. Seu nome foi tirado do club underground londrino de mesmo nome. Seu disco Flying alcançou grande sucesso no Japão, França e Alemanha, mas passou totalmente despercebido em seu próprio país natal.

O disco que escolhi para falar dos caras é o 3º, sendo o primeiro que comprei e o melhor em minha opinião. Aqui, o guitarrista original Mick Bolton foi substituído, após deixar a banda por Michael Schenker, irmão e ex-companheiro de banda de Rudolf Schenker, guitarrista da banda alemã Scorpions. Isso fez toda a diferença, pois apesar de Schenker ser um dos guitarristas mais subestimados que já vi, ele é excepcional e trouxe peso e qualidade importantes que seriam marcas registradas nos futuros trabalhos do UFO. Sempre considerei esse disco muito bom. As músicas são praticamente todas boas e a qualidade que Michael Schenker trouxe foi inestimável. Seus solos são simplesmente fantásticos e estão entre os melhores que já ouvi.

Disco obrigatório.

Músicas-chave: Doctor DoctorSpace ChildRock Bottom.


Roxy Music – Stranded (1973)

Contando com integrantes extremamente talentosos como Bryan Ferry, Andy Mackay, Bryan Eno e Phil Manzanera, o Roxy Music evoluiu dentro movimento art-rock do final dos anos 60, mantendo enorme distância de seus contemporâneos devido ao seu fascínio por pop-arte, fashion, avant-garde, glamour e cinema. Tudo isso tendo como liderança duas personalidades antagônicas como Bryan Eno e Bryan Ferry. Enquanto Ferry era mais orientado para o soul americano e claramente influenciado por Beatles, Eno estava mais interessado no experimentalismo amador típico do Velvet Underground. Essa formatação durou apenas 2 discos, mas foi suficiente para influenciar uma legião de nomes que foram desde o Glam dos 70 até o New Wave dos 80.

Stranded é 3º trabalho do Roxy Music e o primeiro sem Eno. Dá para perceber nitidamente que o grau de experimentalismo diminuiu, porém a banda nunca deixou de se aventurar. Aqui a banda, se deixou de lado um pouco do experimentalismo que era característico, adota outra sonoridade, recheada de belas linhas de piano e guitarras pesadas. O Roxy Music lançou 5 discos excelentes em sequência. Muito difícil selecionar um deles. Escolhi Stramded meramente por gosto pessoal. É um disco muito interessante e cheio de variações e alternativas, chegando perto do progressivo uma hora ou outra. Recomendo fortemente a quem esteja começando ou se interessando em ter uma coleção de rock, que tenha pelo menos 1 do Roxy Music.

Thin Lizzy – Vagabonds of the Western World (1973)

Resolvi colocar um disco do Thin Lizzy aqui, pois apesar de ser uma grande banda que sempre contou com ótimos músicos, é até hoje uma das mais depreciadas e subestimadas dentre as consideradas grandes do panteão dos anos 70. Inicialmente um trio, comandado pelo vocalista/compositor/baixista irlandês Phil Lynott (mãe irlandesa e pai brasileiro), o Thin Lizzy se tornou uma influência e foi largamente copiado quando passou a ser um quarteto com a incorporação de um ataque duplo de guitarras formado por Brian Robertson e Scott Gorham. Com essa fórmula de sucesso eles lançariam alguns ótimos discos ainda nos anos 70 e até a morte prematura de Phil Lynott aos 35 anos, devido ao seu problema crônico de abuso de heroína, cocaína e álcool.

Mesmo sendo o período com 2 guitarras o mais conhecido e até mesmo apreciado pela maioria dos fãs, escolhi um disco da primeira formação, em trio, pois aqui, com esse disco, o grupo atingiu a maturidade que desencadearia os demais subsequentes. Apesar de ainda não ter o ataque duplo de guitarra, aqui o guitarrista Eric Bell arrebenta e faz alguns dos solos mais interessantes que já ouvi como em The Rocker e The Hero and the Madman.

Toque bem alto!

      

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

UFC 156 Aldo vs Edgar



Nesse sábado passado ocorreu em Las Vegas a edição 156 do UFC com direito a disputa de título pelos peso-pena entre o brasileiro José Aldo e o americano Frankie Edgar. Felizmente, o evento não se resumiu apenas a isso pois teve lutas muito bem casadas, não só com a disputa do cinturão como atrativo principal, mas também praticamente todo o card principal, com mais 3 lutas com brasileiros.

A 1ª luta da noite foi entre os americanos Edwin Figueroa e Francisco Rivera pela categoria dos galos. Aqui já deu para perceber que a noite prometia, com uma ótima luta de abertura. Depois de um primeiro round muito equilibrado e até um pouco morno, Rivera aplica um nocaute espetacular em Figueroa na volta para o 2º round.

Rivera acerta joelhada em Figueroa


Na 5ª luta da noite, ainda pelo card preliminar, estreia espetacular no UFC do americano Tyron Woodley, que, com uma sequência de golpes impressionante, nocauteou seu compatriota Jay Hieron em menos de 20 segundos, ainda por cima acertando todos os golpes que aplicou no adversário. Espetacular. Não dá para ter uma ideia exata a respeito de Woodley ainda, mas é bom ficar de olho nesse lutador que é muito rápido e agressivo. Luta válida pelos meio-médios.

Woodley abrindo caminho para o nocaute em Hieron

Pulamos agora direto para o 8º combate da noite, sendo o 2º no card principal, entre os meio-médios Jon Fitch, dos EUA e Demian Maia do Brasil. Fitch é um lutador muito bom e com grande experiêcia, porém é conhecido por amarrar muito suas lutas e não deixar seus oponentes lutarem. Dessa vez ele provou do seu próprio veneno, com Demian Maia grudado nele o tempo todo pelas costas tentando o estrangulamento e aplicando golpes no rosto e linha de cintura. No final, vitória justa e incontestável do brasileiro que não deu nenhuma chance para Fitch, anulando seu jogo e o dominando totalmente, mostrando que é um grande nome do Jiu-jítsu e também um serio candidato ao título da categoria, hoje nas mãos do lutador que tem o jogo mais chato do mundo, o canadense George Saint-Pierre.  

Demian Maia tentando um estrangulamento em Fitch

Confesso que a próxima luta era a que mais estava esperando, entre o brasileiro Antonio Silva, o Pezão, e o holandês Alistair Overeem, pelos pesados. Overeem era o campeão do Strikeforce, evento comprado pelo UFC e extinto recentemente. Overeem também chegou como o novo bicho-papão da categoria, passando por cima sem tomar o menor conhecimento do ex-campeão Brock Lesnar. A próxima investida de Overeem seria a luta pelo título contra o brasileiro Junior Cigano, mas Overeem foi pego no antidoping e ficou 9 meses suspenso.

Antes de ter outra chance de lutar pelo título, ele precisaria vencer o brasileiro Pezão, tido como o azarão da disputa. Acontece que luta se ganha dentro ring e não na véspera, e Pezão, apesar de ter sido dominado (sem contundência alguma) por Overeem nos 2 primeiros rounds, voltou para o 3º diferente e mais agressivo, conseguindo encaixar um golpe certeiro que desequilibrou o holandês que recuou até a grade. Pezão não desperdiçou a oportunidade e atacou violentamente Overeem, acertando vários socos em sua cabeça em uma sequência magistral de uppers e cruzados certeiros, o apagando ainda em pé. Após essa sequência, Overeem evidentemente despencou, porém Pezão ainda teve tempo de acertar mais alguns golpes antes de ter a luta interrompida pelo árbitro. Foi uma vitória espetacular de Pezão, nocauteando aquele que era considerado por muitos como a nova sensação e o cara que iria sacudir a categoria dos pesados.

Antes da luta, Overeem falou demais e desdenhou de Pezão, que deu uma resposta à altura dentro ring, nocauteando brilhantemente o gigante holandês.

Pezão literalmente quebrando a cara de Overeem

A 10ª e penúltima luta do evento foi entre os meio-pesados Antonio Rogério Nogueira, o Minotouro e o americano e ex-campeão Rashad Evans. Outra luta com prognóstico não muito favorável para o brasileiro, porém, Minotouro conseguiu se impor desde o início, defendendo muito bem as tentativas de queda aplicadas por Evans e mostrando um ótimo trabalho de boxe.

No fim, vitória incontestável por pontos de Minotouro que conseguiu desbancar com muita competência um lutador muito respeitado. Minotouro lutou muito bem, de maneira extremamente estratégica durante todo o tempo. Não se expôs a nenhum risco e nem tomou qualquer susto. Para quem não entende do assunto pode até ter parecido uma luta feia e meio sem graça, mas foi um combate tecnicamente perfeito por parte do brasileiro, que conquistou uma importante vitória.

Minotouro (dir.) mostrando como se luta boxe para Rashad Evans (esq.)

O último combate da noite, como não poderia deixar de ser, foi a disputa do título dos penas entre José Aldo e Frankie Edgar. José Aldo conduziu de maneira perfeita o combate não dando qualquer chance para Edgar, que até conseguiu aplicar uma queda no brasileiro no 4º round, mas apenas isso durante todo o combate. Lutando de maneira muito inteligente, Aldo, embora não tenha feito uma luta visualmente bonita, dominou um adversário duríssimo que já havia sido campeão na categoria de cima, dos leves.

No final, decisão unânime dos juízes laterais e merecida manutenção do cinturão por parte do brasileiro que certamente é um dos melhores lutadores peso-por-peso do mundo.

José Aldo acertando mais uma em Frankie Edgar

Mais um grande evento realizado e contrariando minha previsão e me fazendo morder a língua, os brasileiros Pezão e Minotouro conseguiram ótimas vitórias em cima de adversários duríssimos e considerados por muitos (inclusive por mim) como favoritos.

Próximo dia 23/02 haverá mais um evento e esse será histórico, pois acontecerá a 1ª luta feminina na história do UFC. Para mim, isso só serve como curiosidade. O que interessa mesmo é a disputa pelos meio-pesados entre o brasileiro Lyoto Machida e o americano Dan Henderson. Para mim essa é uma luta de prognóstico totalmente imprevisível, porém vou apostar no brasileiro. Vamos ver o que acontece.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Guia Básico de Cinema Capítulo IX



Dando sequência ao guia de cinema, abordo hoje como tema, 5 grandes diretores que surgiram no começo dos anos 70 e que transformaram totalmente o panorama das produções daquela época, e estão aí até hoje.

Vou falar de 1 filme de cada um deles.


Tubarão – Jaws (Steven Spielberg - 1975)

Um enorme tubarão branco comete uma série de ataques na cidade costeira de Amity. O xerife local Brody (Roy Scheider) quer fechar a praia para evitar mais mortes, porém o prefeito não permite devido ao fato de que o verão está chegando e com ele os turistas que sustentam a cidade. No começo o xerife até acata as ordens, mas quando ele é atingido por uma tragédia pessoal resolve caçar o tubarão com ou sem a permissão do prefeito. Para isso ele recorre a ajuda do cientista marinho Hooper (Richard Dreyfuss) e do insano pescador Quint (Robert Shaw).

Quando resolvi falar desses diretores não pensei 2 vezes antes de selecionar Tubarão como sendo o representante de Steven Spielberg. Certamente é um dos melhores filmes de Spielberg. Sem a pieguice, sentimentalismo barato e infantilidades de vários de seus filmes posteriores.

A cena que abre o filme, com a garota nua indo tomar um banho de mar à noite é simplesmente sensacional. Ali já é dada toda a tônica do filme. Outro fator importante, é que esse foi o filme que alçou Spielberg ao estrelato. Ele já havia feito um filme muito bom em 1971, o sensacional Encurralado (Duel), mas que foi direto para TV. Aqui ele consegue desenvolver os conceitos de suspense, terror e aventura dentro de uma narrativa que corre o tempo todo. A trilha sonora é de arrepiar. Sensacional.

Ganhou 3 Oscar.


O Poderoso Chefão Parte II – The Godfather Part II (Francis Ford Coppola – 1974)

Esse filme maravilhoso nos trás o início da saga da Família Corleone, desde quando o jovem Vito Corleone chega ainda criança vindo da Sicília, até sua fase adulta – vivida brilhantemente por Robert De Niro – onde é levado por várias circunstâncias ao mundo do crime. Alternadamente a isso, a estória da Família Corleone se desenvolve nos anos 50, agora sob o comando do filho caçula Michael Corleone (Al Pacino). Agora, Michael está estendendo seus negócios desde Nova Yorque, até Lake Tahoe (Nevada) e até a Havana pré-revolução de Castro.

Como eu já havia falado de O Poderoso Chefão (1972) em post anterior (aqui) escolhi sua continuação para falar de um filme de Coppola. Nesse caso, embora o filme seja teoricamente uma sequência, ele não deve ser entendido como uma dessas “franquias” enganadoras de hoje em dia. O mais correto é considerar que é um filme só que foi dividido em 2, por conta da longa duração. No livro homônimo de Mario Puzzo, que foi o ponto de partida para os filmes, a estória está unificada. O Poderoso Chefão II tem também um dos finais mais controversos da história do cinema. Alguns críticos o consideram superior ao 1º. Assista e forme sua opinião.

Foi premiado com 6 Oscar, incluindo Melhor Filme.


Taxi Driver – Taxi Driver (Martin Scorsese – 1976)

Um veterano da Guerra do Vietnã totalmente instável, Travis Bickle (Robert De Niro) trabalha como motorista de táxi pelas ruas de Nova Yorque fazendo a escala da noite. Em suas corridas ele se depara com toda sorte de vagabundos e imundícies que não aparecem durante o dia. Morando sozinho, sua única fonte de diversão é o cinema pornô que frequenta. Uma noite, entra em seu táxi a prostituta adolescente Iris (Jodie Foster então com 14 anos) pedindo ajuda para se livrar de seu cafetão. Imediatamente Travis fica obcecado com a garota e tem como objetivo salvá-la dessa vida. Por outro lado ele conhece e se interessa por Betsy (Cybill Shepherd), assessora de um candidato a presidência dos EUA. Travis enxerga nele um grande perigo e decide eliminá-lo. Nessa altura, Travis decide se armar para concretizar seus planos de matar o político e salvar a prostituta.

Taxi Driver é considerado como um dos maiores filmes já feitos nos EUA. Além de retratar o submundo, o filme é marcado por cenas fortes de realismo gritante. A cena em que Travis, já armado “dialoga” em frente ao espelho com um marginal imaginário é das mais famosas de todos os tempos. O filme pode até parecer um pouco arrastado e escuro demais em determinados momentos, mas garanto que a sequência final do resgate da prostituta Iris, com sua extrema violência nua a crua compensa. É uma tomada inesquecível. Não tem como assisti-la de maneira indiferente. Seu final sugere várias interpretações. Assista.



Loucuras de Verão – American Grarfiti – American Graffiti (George Lucas - 1973)

Em 1962, os amigos Curt, (Richard Dreyfuss), Steve (Ron Howard), Milner (Paul Le Mat) e Terry (Charlie Martin Smith) vivem uma série de aventuras e situações pouco usuais, na última noite, antes de seguirem para a faculdade. Brigas de namorados, conquistas amorosas, corridas de carro e até envolvimento com uma gangue para praticar pequenos delitos acontecem na mesma noite. Tudo isso regado ao som do disk jockey mais popular da cidade, Wolfman Jack, que embala a trilha do filme e serve como uma espécie de guia para os personagens durante todo o tempo.

Não se deixe enganar. Pode até parecer que é um filminho bobo e água com açúcar, mas o fato é que American Graffiti é um dos filmes mais legais que você pode assistir. Uma coisa interessante é que o filme não tem apenas 1 protagonista principal, mas 4 ao mesmo tempo. Foi também o 2º longa de George Lucas, imediatamente antes de Star Wars. Aqui é que ele começou a ser reconhecido de fato, tanto é que o filme foi indicado a 5 Oscar, inclusive nas categorias de Melhor Filmes e Melhor Diretor.

O filme tem também algumas curiosidades interessantes: 

- foi rodado em apenas 29 dias; 

- a cena em que o ator Charlie Martin Smith pula de uma moto que bate em um prédio, logo no início do filme não estava no roteiro e o ator se acidentou de verdade. George Lucas resolveu incluí-la no filme mesmo assim;

- o ator Harrison Ford se recusou a cortar seu cabelo para as filmagens, já que seu papel era pequeno, sugeriu que seu personagem usasse um chapéu;

- o orçamento do filme era de apenas U$ 770 mil.

- o filme só se tornou realidade devido ao fato de que Francis Ford Coppola, amigo de Geroge Lucas, teve seu nome nos créditos como produtor.


Blade Runner – O Caçador de Andróides – Blade Runner (Ridley Scott – 1982)

Blade Runner é um drama de ficção científica que conta estória de Dick Deckard (Harrison Ford), um Blade Runner (unidade especial da polícia especializada na busca e captura dos andróides) designado para localizar e eliminar 4 replicantes (robôs orgânicos criados geneticamente) que sequestraram uma nave no espaço e estão voltando à Terra para encontrar seu criador.

Blade Runner foi muito mal nas bilheterias dos EUA, custando U$ 28 milhões e arrecadando apenas U$ 32 milhões.Também acabou dividindo a crítica na época, que não gostou muito do seu ritmo e trama complexa, mas apesar disso, hoje é um clássico Cult, considerado como um dos melhores filmes já feitos e que deve obrigatoriamente ser assistido por qualquer pessoa que queira saber um mínimo de cinema. Foi também apenas o 3º longa de Ridley Scott, realizado após os excelentes Os Duelistas e Alien, o 8º Passageiro. É considerado pelo próprio diretor como seu filme mais pessoal. Concorreu a 2 Oscar.