terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Oscar 2013



Domingo ocorreu a festa do Oscar, como sou muito interessado em cinema resolvi dar algumas opiniões a respeito. Vou abordar apenas as categorias mais importantes.

Melhor ator coadjuvante: Christoph Walt (Django Livre).

Christoph Waltz é excelente ator e certamente mereceu o Oscar, porém aqui ele interpreta basicamente o mesmo papel que fez em Bastardos Inglórios do mesmo Quentin Tarantino. O padrão é o mesmo, os diálogos, a postura, tudo. Tudo igual. Seu trabalho é ótimo, mas fica uma sensação de “já vi isso em algum lugar”;

Melhor atriz coadjuvante: Anne Hathaway (Os Miseráveis).

Essa é fácil. Não posso falar, pois não assisti. Acho que nem vou assistir. Acho a história de Os Miseráveis muito chata. Assisti a uma versão anterior com Liam Neeson e quase morri de tédio. Dizem que aqui Anne Hathaway está muito bem e que mereceu o Oscar, sendo inclusive a favorita;

Melhor direção: Ang Lee (As Aventuras de Pi).

Descobri que existem 2 opiniões diversas a respeito desse filme. Uns dizem ser um filme belíssimo, cheio de poesia. Outros entendem que é uma cópia com elementos fantásticos de Moby Dick, só que com um tigre ao invés da baleia. Não sei. O que é estranho é o filme que ganhou o prêmio sequer teve seu diretor indicado ao Oscar. Considero Ang Lee apenas razoável, sem nenhum filme memorável. Ele fez, entre outros, O Tigre e o Dragão, Hulk e O Segredo de Brokeback Mountain. Quem sabe esse não é sua obra-prima?

Melhor atriz: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida).

Sem comentários. Também não assisti. Dizem que estava apenas bem. Ainda bem que não ganhou a favorita, Jessica Chastian. Seu papel como uma burocrata americana é chatíssimo. Ela é a típica mulher moderna focada totalmente na carreira: sem família, amigos ou amor.

Melhor ator: Daniel Day Lewis (Lincoln)

Daniel Day Lewis está simplesmente fantástico como o ex-presidente republicano Abraham Lincoln. Sua caracterização é soberba, chegando ao ponto de adotar outra voz. Isso mesmo até sua voz foi interpretada. Ele é também apenas o 4º ator a ganhar 3 Oscars, além desse ele havia sido o ganhador por Meu Pé Esquerdo e Ouro Negro. Os outros a ganhar 3 Oscars foram Walter Brennan (3 Oscars como ator coadjuvante em Meu Filho é Meu Rival, Kentucky e O Galante Aventureiro), Merryll Streep (1 como coadjuvante por Kramer VS Kramer e 2 como atriz principal por A Escolha de Sofia e A Dama de Ferro) e, finalmente Jack Nicholson (1 como coadjuvante por Laços de Ternura e 2 como ator principal por Um Estranho no Ninho e Melhor Impossível). Acontece que Daniel Day Lewis foi o único a conseguir a proeza de ganhar 3 vezes como melhor ator.

Melhor filme: Argo (dirigido por Ben Affleck).

Que dizer? Argo é realmente um filme muito bom. Divertido e tenso nos momentos certos. O mais estranho aqui é o fato de o diretor do filme premiado como o melhor do ano não ser nem mesmo indicado por melhor direção. Aqui no Brasil Argo não fez muito sucesso. Várias pessoas que conheço nem haviam ouvido falar nele antes do Oscar. Argo conseguiu a proeza, o que se verificou não ser realmente tão difícil, de tirar o prêmio de Lincoln. Lincoln é um belo filme, porém é muito chato. Era filme com cara de Oscar. Mas não levou. Melhor assim. Argo é muito mais divertido.

O Pior:

Como não poderia deixar de ser, o Oscar desse ano teve também um momento vergonhoso. E foi no ponto máximo da festa. A entrega do prêmio de melhor filme, o principal da noite. Quem foi chamado para fazer a entrega foi Jack Nicholson. Até aqui tudo bem. Porém, em uma reviravolta absurda, foi feito um link direto com a Casa Branca, onde ninguém menos que a 1ª Dama americana Michelle Obama estava ali pronta para “ajudar” Nicholson a fazer a entrega de melhor filme. Foi uma das cenas mais patéticas e grotescas que vi em minha vida. Foi ridículo. Foi o pior momento de Oscar que já vi. A politização do espetáculo ou a espetacularização da política. Tanto faz. O que interessa foi o papelão lamentável que se apresentou. O que tem haver uma coisa com a outra? É brincadeira. Esse Obama está tentando transformar os EUA em uma republiqueta bananeira vagabunda. Aposto que um monte de gente achou sensacional.

O Melhor:

No frigir dos ovos o melhor momento, disparado, foi a presença do ursinho Ted apresentando alguns prêmios em parceria com Mark Wahlberg, com quem contracena no filme. Genial.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

UFC 157

Sábado tivemos a edição 157 do UFC. Foi considerado um evento histórico, pois houve a 1ª luta feminina na história da organização. Considero que foi um bom evento, mas não brilhante. Algumas boas lutas, e outras fracas. Das 12 programadas vou comentar 7 delas.

A 1ª luta do card preliminar foi entre o brasileiro Yuri Villefort e o americano Nah-Shon Burrel. Ambos estreavam no UFC pala categoria dos meio-médios. Só vou comentar aqui essa luta devido ao fato de ter tido um brasileiro envolvido. Acontece que o brasileiro não disse a que veio. Depois de um bom momento logo no início do 1º round, onde quase conseguiu uma finalização por estrangulamento, Yuri Villefort, contrariando sua equipe e seu ponto forte, resolveu trocar em pé com o americano, cujo ponto forte é exatamente a luta em pé. Resultado: o brasileiro apanhou muito a luta inteira. Quando tentava levar a luta ao solo, o americano conseguia se levantar com muita facilidade. No final vitória unânime por pontos do americano que mereceu vencer o brasileiro. Antes de o combate começar, os comentaristas falaram muito do brasileiro e de que era o favorito. Não sei se foi a emoção da estreia ou se o fato de ser muito jovem (21 anos), mas a realidade é que ele fez uma luta medíocre e apanhou de verdade. Vamos esperar mais uma, caso ele não seja dispensado por Dana White, para ver se foi isso ou se ele é mais um brazuca medíocre.


Yuri Villefort (esq.), todo arrebantado, leva chute de Nah-Shon Burrel


O 3º combate entre Brock Jardine e Kenny Robertosn foi muito bom e bem movimentado com alternância de domínio por ambos os lutadores. Jardine começou melhor, quase conseguindo a finalização com uma guilhotina que parecia estar bem encaixada, porém Robertson teve a paciência necessária, se livrou do golpe e virou o jogo, aplicando de maneira sensacional uma criativa chave de joelho, que fez com que Jardine desistisse do combate ainda no 1º round.


Robertson aplica uma inusitada chave de joelho em Jardine

A 5ª luta da noite foi igualmente sensacional. Pode ser dividida em 2 partes bem distintas. Do 1º Rond, até a metade do segundo, houve pleno domínio de Matt Grice. A partir da metade do 2º round, Dennis Bermudez renasce das cinzas e começa a encaixar seu jogo, literalmente roubando a vitória do round que seria de Grice. No 3º round, Bermudez veio atropelando Grice e aplicando nesse uma verdadeira surra. Grice, com queixo duríssimo assimilou os golpes e, praticamente nocauteado em pé, conseguiu levar o combate até o fim. Na decisão pelos juízes laterais, vitória em contagem dividida para Bermudez. Com certeza uma das lutas mais emocionantes do evento.


Matt Grice (esq.) enfrenta Dennis Bermudez (dir.)


A 8ª da noite e 1ª do card principal, foi entre dois americanos pelos meio-médios: o insuportável Josh Koscheck e Robbie Lawler. Eu não dava nada para essa luta, mas foi surpreendente, com Koscheck derrubando Lawler rapidamente para aplicar o ground and pound. Lawler, de maneira espetacular, consegue uma inversão de posição e ainda deitado acerta ótimo golpe em Koscheck que fica abalado. Na sequência Lawler trabalha o ground and pound com extrema competência, machucando bastante Koscheck. Só restou ao árbitro Herb Dean interromper o combate dando a vitória por nocaute técnico a Lawler ainda no 1º round. Ótima luta e grande desempenho de Lawler, mas acho que ele terá muito pouca chance de lutar pelo título, hoje nas mãos do canadense Georges St-Pierre.


Lawler dando um sufoco em Koscheck


O 10º combate da noite foi entre o americano Urijah Faber e o salvadorenho Ivan Menjivar. Faber e Menjivar já haviam combatido antes no extinto torneio WEC (comprado pelo UFC) em 2006. Nessa ocasião, Faber derrotou Menjivar com propriedade. Nesse sábado a história se repetiu e Faber, novamente e de maneira muito técnica, conseguiu derrotar Menjivar mais uma vez e no 1º round, aplicando estrangulamento por mata-leão em pé, depois de dominar totalmente o round. Grande vitória de Faber. Fica difícil prever qual será o destino dele, pois antes dessa luta ele havia perdido o título interino dos galos para o brasileiro Renan Barão. Barão, que defendeu brilhantemente seu título semana passada, espera a recuperação do campeão Dominick Cruz, para conseguir o título definitivo. Será que Faber enfrentará o vencedor do combate entre Barão e Cruz?


Faber aplica mata-leão em Menjivar


O penúltimo combate da noite era o mais aguardado por mim, entre o brasileiro Lyoto Machida e o americano Dan Henderson. Previa uma luta interessante, porém dificílima para o brasileiro que encarava um adversário duríssimo, com poder de nocaute avassalador e que de quebra nunca foi nocauteado. Casca grossa. O que se viu no decorrer do combate foi o brasileiro seguindo seu estilo chato de sempre. Mantendo a distância e atacando pouco em contra-golpe. No 1º round, a coisa transcorreu assim, com Henderson procurando mais a luta e Lyoto se esquivando e tentando acertar no contra-golpe. No final do round, Lyoto consegue aplicar uma queda em Henderson seguida de ground and pound. Na volta para o 2º round, Lyoto voltou melhor e conseguiu impor seu ritmo, vencendo o round claramente. No último round, Lyoto deu uma bobeada e foi derrubado por Henderson que controlando o brasileiro no chão, aproveitou para trabalhar o ground and pound. O brasileiro, depois de alguns momentos jogando por baixo e tentando travar a luta, consegue se colocar novamente em pé, onde acerta alguns bons chutes em Henderson, mas nada que pudesse mudar o destino do combate, o qual foi decidido por pontos, de maneira dividida em favor de Machida.

Esse era o perigo, pois qualquer resultado era possível. Lyoto havia ganho o 2º round e Henderson certamente havia ganho o 3º. Tudo dependeria do resultado do 1º round. 2 juízes entenderam que Lyoto foi melhor também no 1º e um deles deu a vitória no round para Henderson. O que salvou o brasileiro da derrota foi o fato de ter conseguido derrubar e aplicar o ground and pound em Henderson no final do 1º round. Lyoto correu um risco desnecessário nessa luta. Seu modo de esquivar e ficar esperando pelo ataque do adversário não é muito bonito nem empolgante, mas é sem dúvida eficiente. O que acontece é que em uma luta de apenas 3 rounds, ele corre muito risco. Se não tivesse derrubado Henderson no 1º round, ele não teria tido tempo de se recuperar e teria perdido o combate e a chance de desafiar novamente Jon Jones pelo título dos meio-pesados, isso se Jon Jones passar por Chael Sonnen em abril. Entendo que o estilo de Lyoto pode ser uma boa saída para enfrentar novamente Jones. Dessa vez conhecendo melhor o adversário ele pode conseguir derrotar o campeão.


Lyoto Machida acerta chute em Dan Henderson


A última luta da noite foi o tão aguardado primeiro combate feminino entre a campeã Ronda Rousey e a desafiante Liz Carmouche. Rousey é a queridinha de Dana White e sua estratégia para as categorias femininas estavam todas centradas nela, era vital que ela ganhasse. E ganhou. Como era de se esperar ela finalizou Carmouche com um arm-lock, faltando apenas 11 segundos para o final do 1º round. O que ninguém imaginou é que Carmouche fosse dar tanto trabalho para a campeã. No início do round, Carmouche quase finalizou Rousey com um estrangulamento, porém, com um jogo de quadril e uma mordida no braço, Ronda Rousey se livrou da oponente e seguiu tranquila para a vitória.


A campeã Ronda Rousey (esq.) e Liz Carmouche

Depois de finalizada a luta, apareceu uma imagem do braço de Liz Carmouche com uma mordida. Durante o combate, realmente parece que ela acaba mordendo sua adversária, o que é proibido, mas ela deu a desculpa meio esfarrapada de que quando era mais nova teve o maxilar deslocado e agora se forçar ele se desloca, o que teria causado a mordida, involuntária segundo ela.

Se por acaso a Cris Cyborg não tivesse saído da organização certamente seria uma adversária que poderia derrotar Ronda Rousey com alguma facilidade. Como essa possibilidade já era, Dana White tem pensado na volta aos rings da ex-campeã Gina Carano, que deixou a carreira para investir na carreira de atriz.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Guia Básico de Cinema Capítulo XII



Outro dia meu irmão e minha cunhada reclamaram comigo que a maioria dos filmes que apresento no Guia Básico são antigos. Respondo que isso é óbvio, pois a maioria disparada dos grandes filmes é composta por filmes antigos. Mas como sou um cara legal, resolvi dedicar um ou alguns posts à filmes mais recentes. Começo listando 5 ótimas produções dos anos 90:


O Poderoso Chefão Parte III – The Godfather Part III (Francis Ford Coppola - 1990)

Tentando finalmente colocar os negócios de sua família dentro da lei, Michael Corleone (Al Pacino) descobre que quanto mais ele se afasta do seu passado criminoso, mais ele é levado a ele novamente. Ambientado em 1979, Michael se envolve inclusive com negócios escusos do Vaticano ao mesmo tempo em que pretende se livrar definitivamente de seus antigos sócios. Ocorre que, após um atentado contra sua vida, do qual escapa ileso, ele quase morre devido a um coma por causa de seu problema crônico de diabetes. Após se recuperar superficialmente de sua doença, Michael entende que precisa se afastar definitivamente do crime, mas para isso vai precisar da ajuda de Vincent Mancini (Andy Garcia), seu sobrinho violento e impulsivo que fará qualquer coisa para auxiliar o tio e se tornar o novo capo.

Esse é o filme que encerra a saga da família Corleone. Inicialmente Francis Ford Coppola não tinha nenhuma intenção de lançar um terceiro filme, mas algo o fez mudar de ideia e ele e Mario Puzzo, autor do livro original, escreveram o roteiro para o último capítulo da saga.

O filme não alcançou o mesmo sucesso de público e crítica que seus antecessores. Na realidade ele não está no nível dos anteriores, mas poucos estão. Mas é um ótimo filme e que foi indicado ao Oscar em 7 categorias. Não levou nenhum, mas nesse ano a concorrência estava extremamente forte, com Dança com Lobos e Os Bons Companheiros.
Sugiro que seja assistido por todos que assistiram os anteriores. Para o bem ou para o mal é um ponto final em uma das estórias mais interessantes e marcantes do cinema.


Cabo do Medo – Cape Fear (Martin Scorsese - 1991)

Cabo do Medo é uma refilmagem de Círculo do Medo de 1962, esse estrelado por Gregory Peck e Roberto Mitchum que inclusive fazem uma participação especial aqui. O filme conta a estória de Sam Bowden (Nick Nolte) um advogado que há 14 anos defendeu o estuprador psicótico Max Cady (Robert De Niro). Aparentemente Bowden não se esforçou muito na tarefa e Cady acabou condenado. Agora ele localizou Bowden e vai transformar a vida dele e de sua família um inferno antes de executar sua vingança.

Além dos talentos de De Niro e Nolte, o filme conta ainda com ótimas atuações de Jessica Lange, como Leigh Bowden, esposa de Sam e Juliette Lewis como sua filha adolescente Danielle.

Repetir que Martin Scorsese é um mestre e um dos melhores diretores de todos os tempos é chover no molhado, mas o fato é que Cabo do Medo vai se tornando cada vez mais tenso e claustrofóbico à medida que se desenrola. E isso é mérito total do diretor. Algumas cenas são um tanto quanto forçadas, como a surra que Cady leva dos capangas contratados, mas isso não desmerece o longa em absolutamente nada. Certamente é um clássico moderno do suspense e mais uma prova de que a dupla Scorsese-De Niro consegue sempre resultados extraordinários. 


Cães de Aluguel – Reservoir Dogs (Quentin Tarantino - 1992)

Seis criminosos que não se conhecem são contratados por um chefe do crime local para roubar uma joalheria. Ao invés de usarem seus nomes reais, eles recebem apelidos para que não se conheçam e foquem exclusivamente no trabalho. Durante o roubo a polícia aparece bem na hora e, durante o tiroteio um dos criminosos é morto. O restante do bando, ao voltar para o local de encontro começa a discutir o que saiu errado e surge a suspeita de que um dos envolvidos é um policial infiltrado.

Primeiro longa de Quentin Tarantino e considerado por muitos como seu melhor trabalho. Não acho. A filmografia de Tarantino tem filmes espetaculares e outros nem tanto, sendo muito difícil apontar o melhor. Cães de Aluguel certamente está entre os melhores. 

Cães de Aluguel é a gênese de seu estilo e modo de fazer cinema. Aqui todos os elementos que caracterizam sua obra estão presentes. Diálogos sensacionais, muita violência e grandes doses de humor.
Os diálogos como sempre são demais, como o em que o chefão Joe Cabot distribui os codinomes aos participantes. Ele determinou que todos usarão nomes de cores, como por exemplo Mr. Brown, Mr. Orange e assim por diante, mas deixa claro que não haverá nenhum Mr. Black, pois é o nome mais legal e todos iriam brigar para ser o Mr. Black. Ou então aquele em ficam fazendo considerações sobre a história real por trás da música Like a Virgin da Madonna. Genial!
Se ainda não viu não perca mais tempo. O final é desconcertante.


Dead Man – Dead Man (Jim Jarmusch - 1995)

Escrito e dirigido por Jim Jarmusch, Dead Man conta a estória de William Blake (Johnny Depp), um contador que, em algum momento da 2ª metade do século 19, depois de matar um homem precisa fugir. Em sua fuga ele se depara com o índio Nobody (Gary Farmer) que acredita que ele é de fato o poeta inglês William Blake, morto em 1827. Durante sua fuga, Blake inicia uma jornada tanto física como espiritual em um terreno totalmente estranho a ele. Com a ajuda de Nobody (isso mesmo o nome do índio é ninguém em inglês) ele se aventura por situações tanto cômicas como violentas. Jogado em um mundo cruel e caótico ele finalmente abre seus olhos para a fragilidade que sua existência.

Os filmes de Jim Jarmusch sempre são estranhos e meio malucos. Aqui não é diferente. Dead Man é o western mais improvável já feito. Para começar foi rodado totalmente em preto e branco. As situações são totalmente bizarras, mas também com boa dose de humor, como na que Blake encontra alguns malfeitores acampados a noite. É uma situação de claro perigo, mas mesmo assim ele resolve se aproximar. Quando chega perto do grupo, esses perguntam com quem ele viaja, e ele responde que viaja com Ninguém “I travel with Nobody”, se referindo aqui ao nome do índio, seu companheiro. A cena em que ele comete o homicídio é belíssima, com uma crueza e simplicidade brilhantes. Não é um filme fácil, mas é certamente uma obra inesquecível. Outro ponto alto é a trilha sonora composta e executada inteiramente por Neil Young.


Fargo – Uma Comédia de Erros – Fargo (Joel Coen e Ethan Coen - 1996)

Fargo é uma comédia de humor negro que trás a estória de Jerry (William H. Macy), gerente da loja de carros de seu sogro em Fargo, na Dakota do Norte. Metido em sérios problemas financeiros, Jerry planeja o sequestro de sua própria esposa. Ele faz um acordo com 2 marginais que devem simular o sequestro sem violência e de quebra receberão um carro novo e U$ 40 mil. O resgate deverá ser financiado por seu sogro, porém uma série de equívocos comprometem todo o planejamento, acarretando um triplo homicídio. A cargo da investigação está a improvável chefe de polícia grávida Marge Gunderson (Frances McDormand).

Fargo, assim como a maioria dos filmes dos irmãos Coen é sensacional. As interpretações são ótimas e o enredo é fantástico. Apesar do tema pesado e da violência, o filme tem doses exatas do humor negro característico da dupla. Frances McDormand, que ganhou o Oscar de melhor atriz por Fargo, consegue brilhantemente dar vida a uma heroína totalmente improvável. Apesar das situações inusitadas, Fargo não é forçado e nem exagera na dose e nenhum momento. Não há nenhuma explosão, perseguições de carro inverossímeis ou o ápice do gran finale. Toda ação transcorre de maneira totalmente natural. É um filme espetacular.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Discoteca Básica de Rock Volume VIII

Trago hoje 5 discos muito interessantes que foram lançados a partir da metade dos anos 70. 

São eles:


Patti Smith - Horses (1975)

Com certeza Patti Smith é uma das maiores influências femininas no rock de todos os tempos. Seu estilo pode ser considerado como ambicioso, não convencional e desafiador, tanto que ela mescla com maestria música e poesia, assim como Bob Dylan, em suas composições. Foi uma das primeiras da onda punk a lançar um disco, se antecipando inclusive aos Ramones.

Horses é seu primeiro trabalho, outro ótimo disco de estréia, antecipando a onda punk em 1 ano, porém tendo toda uma bagagem poetica em suas letras. Apesar do lirismo em suas letras, nota-se a força contida em suas melodias, tocadas vigorosamente de maneira bastante crua, como é possível se confirmar com a levada um tanto quanto rudimentar do guitarrista Lenny Kaye, contrastando perfeitamente com voz e letras de Patti Smith.

Músicas-chave: GloriaFree MoneyKimberley.


Television - Marquee Moon (1977)

Liderado pelo excelente guitarrista Tom Verlaine, o Television tem sua trajetória iniciada em 1973, quendo Verlaine juntou-se ao também guitarrista Richard Lloyd. Embora fosse uma das mais criativas bandas da cena de Nova Iorque nos anos 70, o Television só viria a lançar seu primeiro trabalho alguns anos depois, em 1977. Claramente inspirado na cena punk que dominava a época, o Television tem uma sonoridade bem característica, não devendo ser confundido com bandas como Ramones ou Sex Pistols, antecipando o que seria a tendência pós-punk. Após o lançamento de seu 2º álbum, Adventure, a banda se separou, retornando apenas no final de 1991 para uma curta reunião que resultou em um disco chamado simplesmente Television. Após isso eles se reuniriam novamente em 2001 para algumas apresentações ao vivo, nos EUA e Inglaterra.

Marquee Moon é um disco muito bom, podendo ser considerado como um ótimo trabalho de estréia. É basicamente um disco de rock com muita guitarra e da melhor qualidade. Tom Verlaine é um guitarrista fantástico. É também um dos discos mais subestimados de todos os tempos que, apesar de ter tido críticas muito favoráveis, não chegou a ter sucesso comercial expressivo em seu país natal, vindo a alcançar algum reconhecimento por parte do público inglês que o levou ao 28º posto nas paradas daquele país.

Músicas-chave: Marquee MoonElevationTorn Curtain.


Fleetwood Mac - Rumours (1977)

O Fleetwood Mac é um caso bem diferente e interessante na história do rock, pois pode ser considerado como uma banda com duas fases completamente distintas ou então como duas bandas diferentes. Quem escutar os discos de ambas as fases vai ter a certeza de se tratar de 2 bandas diferentes. A banda, assim como outras tantas do rock, passou por algumas formações diferentes, contando como elementos fixos desde sempre, o baterista Mick Fleetwood e o baixista John McVie, daí o nome Fleetwood Mac. No começo era uma banda orientada totalmente em Blues Rock. A direção musical estava a cargo do excelente guitarrista Peter Green. Quando esse deixou a banda, foi substituído por Christine Perfect, que se casaria com John McVie e se tornaria Christine McVie. No decorrer dos anos 70 eles incorporariam ainda a dupla de soft rock formada por Steve Nicks e o guitarrista Lindsey Buckingham, o que transformaria totalmente o som do grupo e o tornaria um dos mais populares dos anos 70.

Rumours é o disco mais importante da banda e um dos mais vendidos de todos os tempos. Na época ele vendeu 17 milhões de cópias, se tornando o 2º mais vendido até então, perdendo apenas para The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. Hoje Romours conta com cerca de 40 milhões de cópias vendidas. Seu sucesso foi enorme e conseguiu emplacar 4 músicas nos Top Ten das paradas americanas naquele ano. Um feito fantástico.



Dire Straits - Dire Straits (1978)

Surgindo no final dos anos 70, logo após o ápice do punk rock, o Dire Straits não tem nenhuma influência punk, sendo claramente orientado para o Blues Rock, porém adotando um tom minimalista e até mesmo melancólico em suas composições. Não precisa ser nenhum especialista para perceber que a qualidade das coposições está muito acima do punk da época. Liderado pelo excelente guitarrista Mark Knopfler, o Dire Straits é, muitas vezes, citado como a banda que resgatou a guitarra no rock. Faz sentido, pois em uma época dominada pelo punk e disco music, a guitarra estava um pouco de lado como instrumento-símbolo do rock.

Dire Straits é um dos melhores discos de estréia e também um dos melhores que você pode comprar. Foi um dos primeiros que comprei em CD, no final dos anos 80 e é fantástico. Todas as músicas são boas. Não há uma falha sequer. O Dire Straits é também uma das primeiras referências que tenho em rock. É sem dúvida um disco obrigatório.



The Police - Reggatta de Blanc (1979)

O The Police é um caso raro, pois é um trio onde todos os integrantes são extremamente talentosos. Liderados pelo baterista Stewart Copeland e contando ainda com o técnico Andy Summers na guitarra e o carismático Sting como vocalista/baixista e frontman, o Police é difícil de definir. Transita com enorme vigor entre o punk, o pop rock, o reggae e até mesmo algumas levadas de jazz. Desde Outlandos d'Amour, seu disco de estréia em 78, até Synchronicity, sua despedida em 83, o Police só viu crescer seu público e sucesso. Quando atingiram seu ápice, justamente em 83, o Police era uma das principais e mais influentes bandas do mundo. Quando se seperaram em 84, Sting naturalmente ficou com a maior parte dos fãs da banda, o que resultou em base sólida para sua carreira solo.

O Police lançou apenas 5 discos em sua curta carreira e todos são bons, mas escolhi para apresentar aqui o 2º da banda, Reggatta de Blanc. Enquanto Outlandos d'Amour é bem mais cru, Reggatta de Blanc apresenta composições mais bem elaboradas e executadas, se afastando ainda mais de qualquer influêcia punk. É possível também perceber um nivel maior de experimentação por parte dos músicos. Entendo que pelo menos 1 disco dos caras qualquer colecionador deve possuir. Minha sugestão é Reggatta de Blanc.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A Hora Mais Escura - Análise



Sexta-feira passada estreou nos cinemas de todo o país o filme A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) da diretora americana Kathryn Bigelow. Esse filme é um dos indicados desse ano ao Oscar de melhor filme.  Bigelow já havia recebido o Oscar por Guerra ao Terror. Em A Hora Mais Escura ela nos leva a uma caçada de 10 anos pelo terrorista saudita Osama Bin Laden. O filme, inclusive começa no fatídico 11 de setembro. No começo ouvimos vozes e gravações do que seriam os últimos momentos de algumas das vítimas do atentado. Logo após é cortado para uma prisão no Afeganistão, onde um grupo de agentes da CIA aplica um interrogatório em alguém que eles julgam ter ligação com uma célula terrorista. Ali nos é apresentada a personagem principal, a agente Maya (Jessica Chastian), recém chegada àquela localidade para auxiliar nas investigações.  A atriz Jessica Chastian concorre ao Oscar de melhor atriz. Maya é uma jovem e obstinada agente que passa os próximos 10 anos de sua vida tentando montar o quebra-cabeça que pode levar à captura de Bin Laden.

Em linhas gerais, esse é o resumo do que se trata o filme. Acredito que a diretora tenha usado farto material e documentos para remontar toda a história que está por trás da captura e morte de Bin Laden. Não vou especular aqui sobre a veracidade ou não da operação e seu objetivo, pois já fiz isso aqui. Vou me ater basicamente na análise da obra em si.

Se levarmos em consideração e usarmos como padrão de comparação Guerra ao Terror, podemos dizer com certeza de que A Hora Mais Escura é bem inferior. O filme certamente foi muito bem executado e Bigelow é boa diretora sem dúvida alguma, mas parece que falta algo. Talvez seja pelo fato do filme ser muito parecido com Guerra ao Terror. As imagens também são muito perecidas, dando uma sensação de que nada ali é novidade.

Outra coisa chata é que o filme é longo demais. Tem 155 minutos. Poderia perfeitamente ter 120, que seria um tempo normal. Não tenho nenhum problema em assistir filmes longos, mas tudo tem uma razão de ser. Grandes estórias normalmente não cabem em filmes curtos, mas aqui não é o caso. É basicamente uma ação que se desenrola durante toda a projeção, sem ações paralelas, por isso entendo que tem uma duração um pouco exagerada.

Outra coisa. É um filme que está concorrendo ao Oscar. Não sei qual será o vencedor, mas entendo que esse filme não é matéria para Oscar. Quando Guerra ao Terror ganhou o Oscar, seu principal concorrente era a fantasia infanto-juvenil Avatar. Daí fica até fácil. Filmes infantis não costumam ganhar Oscar. Esse ano a concorrência é fortíssima, principalmente por causa do favorito, Lincoln de Steven Spielberg.

Tem outra coisa. Não é um filme memorável, assim como a esmagadora maioria dos filmes hoje em dia também não são. Não há uma única cena ou diálogo que sejam dignos de nota ou que possam ser considerados marcantes. Nada. Em minha opinião isso diz muito sobre a obra em si. Não é possível existir um grande filme sem grandes e marcantes cenas.

Em resumo, é um bom e sólido filme, bem realizado. E só. É daqueles em que depois de meia-hora já não sabemos direito o que aconteceu. Seus outros méritos são, apesar do tema, não escorregar para a patriotada e não trocar o desenvolvimento da trama por explosões e tiroteios inúteis.

Entendo que vale a pena ser assistido, sem expectativas, porém. Assista por esporte ou curiosidade sobre um caso que ainda hoje é nebuloso em um episódio muito difícil da história americana.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

UFC Barão vs McDonald

Nesse sábado dia 16/02/13 foi realizado em Londres a edição UFC on Fuel TV 7, que contou com o evento principal a disputa do título interino pela categoria dos galos entre o brasileiro Renan Barão e o americano Michael McDonald. O card completo teve 12 lutas, mas dessas vou comentar apenas 4, o que a meu ver torna o evento apenas razoável. 

A 3ª luta da noite foi entre o ingês Tom Watson e o búlgaro Stanislav Nedkov, pelos médios. Foi uma luta muito boa, com alternância de posições e domínios no seu decorrer. No 1º round, Watson partiu para cima de Nedkov, o encurralando na grade e aplicando joelhadas e cotoveladas enquanto estavam no clinch. Na verdade essa parece ser uma técnica usada constantemente por Watson. Ainda no 1º round, o búlgaro Nedkov consegue encaixar ótima sequência em contra-golpe e aplica um knockdown em Watson. A partir dali, ele literalmente espancou Watson no solo utilizando ground and pound, porém o árbitro não interrompeu a luta, pois o round estava acabando. Foi a sorte de Watson que, na volta para o 2º round encontrou Nedkov totalmente sem gás e, novamente no clinch, aplicou joelhadas e cotoveladas que minaram Nedkov e determinaram o final da luta. Boa luta e bem movimentada, mas ainda falta muito para ambos os lutadores se quiserem almejar algo a mais na categoria.

Watson (esq.) recebe contra-golpe de Nedkov (dir.)

O 6º combate foi entre o brasileiro Renée Forte e Terry Etim, da inglaterra. Terry Etim é um lutador duríssimo, bem mais alto e com mais envergadura que Renée Forte, mas isso não perturbou o brasileiro em momento algum, pois dominou totalmente as ações durante todo o combate, conseguindo, inclusive aplicar um knockdown em Etim no 2º round. Renée Forte é um competidor que veio do TUF (The Ultimate Fighter) Brasil. Porém, no programa ele parou nas quartas de final da categoria. Aqui, lutando pelos leves, ele se encontrou e fez uma ótima estréia no UFC. É bom ficar de olho em Renée que pode vir a ser um bom nome na categoria, pois tem força, técnica e explosão.

Renée Forte atacando o grandalhão Terry Etim

No 9º combate da noite e já pelo card principal, foi a vez de outro brasileiro, o Jorge Santiago, enfrentar o islandês Gunnar Nelson pelos meio-médios. Santiago tentava a sorte pela 3ª vez no UFC, sendo suas outras passagens pela organizações não muito boas. Dessa vez a história se repetiu, com o brasileiro fazendo uma péssima apresentação, simplesmente não conseguindo nada durante o combate. Ele até começou o 1º round bem, mas logo Nelson impôs seu rítmo e dominou todas as ações durante o combate. No final do 3º round, Santiago até conseguiu aplicar uma boa sequência em Nelson e quase o derrubou, mas foi muito pouco e ele acabou sendo derrotado de maneira unânime nos pontos.

Gunnar Nelson (esq.) e Jorge Santiago (dir.) na pesagem oficial. Ao fundo Dana White


A última luta da noite foi a disputa do título interino dos galos entre Renan Barão do Brasil e Michael Mcdonal dos EUA. Renan Barão vinha de uma série de 31 vitórias e apenas 1 derrota. Um cartel impressionante desse técnico e talentoso lutador. Michael McDonald é um jovem de 22 anos com 15 vitórias e apenas 1 derrota, sendo considerado por todos como um adversário duríssimo. E foi mesmo. Durante os 2 primeiros rounds a luta foi extremamente equilibrada, só dando margem para uma possível vitória parcial de Barão devido às quedas que ele conseguiu aplicar em McDonald. Esse, porém era mais perigoso em pé, conectando alguns bons socos em Barão. No 3º round, Barão teve maior volume e aplicou mais algumas quedas, dessa vez vencendo claramente o round. No 4º round, Barão, com muita força e técnica, colocou McDonald mais uma vez para baixo, conseguindo aplicar um katagatame perfeito que obrigou McDonald a desistir. Grande vitória de Renan Barão que agora espera a volta do campeão Dominick Cruz, que se contundiu ano passado a ainda não tem data para retorno.

Renan Barão encaixa chute em Michael McDonald

Certamente Dominick Cruz está com a pulga atrás da orelha depois de mais essa apresentação magistral de Renan Barão. E é bom estar mesmo, pois o brasileiro tem tudo para vencê-lo e ficar com o título de fato da categoria. 

No proximo sábado é a vez do UFC 157, com a estréia da categoria feminina e já com disputa de título entre a campeã Rhonda Rousey e a desafiante Liz Carmuche, pelos galos. Não sei o que esperar da luta nem o que pensar sobre a categoria feminina. O negócio é esperar para ver. O que interessa mesmo para nós brasileiros é a luta entre Lyoto Machida e o americano Dan Henderson. Esse sim será um combate duríssimo para o brasileiro e, na minha opinião sem qualquer prognóstico. Acredito que, como Lyoto luta mais no contra-golpe, isso possa lhe dar uma pequena vantagem, pois vai fazer com que Henderson se exponha. Por outro lado, Dan Henderson bate muito forte e aguenta muita pancada também, sendo um lutador muito difícil de se aplicar knockdowns. Daqui deve sair o próximo desafiante de Jon Jones caso ele passe por Chael Sonnen no final da edição americana do TUF. Alguém aí duvida que Jones ganha fácil de Sonnen?

Certamente volto semana que vem para comentar o evento.