quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Notícias Estúpidas



Li outro dia nos portais de noticias da internet, 2 notícias realmente inacreditáveis, daquelas que a gente não sabe como viveu sem até hoje. Na verdade nem podem ser classificadas como notícias, pois a manchete de chamada para a matéria é tão autoexplicativa que não necessita de texto.

Vamos a elas:

A 1ª pode ser encontrada em qualquer lugar como UOLTerra, e diz respeito à ilustríssima presença da atriz americana Megan Fox no camarote da Brahma durante o carnaval carioca. Por seu desempenho exemplar em tão árdua tarefa ela será devidamente recompensada com a soma de R$ 4,7 milhões, valor totalmente justo e coerente com a importância da empreitada. Descobri também que em 2012, Jennifer Lopez, outra atriz importantíssima que tem tudo a ver e se identifica perfeitamente com a cultura brasileira recebeu míseros R$ 4 milhões para isso. 

Certamente o sonho da vida de Megan Fox é vir aqui e encher a cara de Brahma tentando assistir os desfiles enquanto dribla repórteres, artistas tupiniquins, fãs e outros chatos.

É impressionante ler uma coisa dessas. Será que a Brahma acha que vai alavancar suas vendas com isso? Será que não tinha nenhuma famosa brasileira que pelo menos se identificasse com a coisa disponível e que toparia receber, sei lá, em cerveja mesmo?!

Essa Megan Fox, que é uma atriz muito fraca por sinal (uma Angelina Jolie piorada), ainda vai trazer a tiracolo o maridão para ver o zoológico. Acho que é assim mesmo que esses famosos estrangeiros enxergam as coisas por aqui. Algo como um zoológico humano, cheio de espécies curiosas e diferentes. Evidentemente a levarão a um prazeroso passeio por alguma favela local também. É deprimente.

A 2ª notícia e uma das mais imbecis que já li em toda minha vida pode ser encontrada no Yahoo. A manchete diz o seguinte: Classe alta é a que mais consome cerveja “premium”. O Yahoo é pródigo em besteiras, mas aqui se superou. O pior é isso está na parte de finanças. É o fim da picada. Já leram algo mais absurdo? Desde quando isso pode ser considerado uma notícia? É o típico caso em que nem é preciso ler a matéria. 

Falar que é a classe alta que mais consome cerveja “premium” é o mesmo que dizer que é a classe alta a que mais compra carros importados de luxo, ou ainda a que mais compra relógios suíços ou a que come em restaurantes mais caros etc.

É o tal óbvio ululante a que se referia Nelson Rodrigues.

Embora seja uma bobagem sem tamanho, é possível extrair dessa matéria 2 informações interessantes:

- o mercado de cervejas “premium” faturou ano passado aqui no Brasil R$ 5,29 bilhões. É uma cifra pra lá de expressiva, o que demonstra claramente que é um bom negócio em um mercado em expansão;

- mais de 20% dos jovens dizem que essas cervejas são suas preferidas. Isso também é interessante, pois ratifica a informação do mercado em crescimento e também mostra que está ocorrendo, e isso não é de hoje, um refinamento nos hábitos em relação à cerveja. 

Transformar a cerveja em algo mais refinado pode ser uma boa idéia, mas pode também ser uma faca de dois gumes, pois já está ocorrendo (conheço gente assim) o mesmo que ocorreu com o vinho. Juntamente com um leve refinamento vêm os chatos de plantão, no caso do vinho os enochatos, que no caso da cerveja podem vir a ser chamados de cervechatos, cervachatos ou algo do gênero.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Verdade? Mentira? Coincidência?

Outro dia estava discutindo com alguns parentes sobre um tema um tanto quanto controverso e que desperta pelo menos certa estranheza em qualquer pessoa com um mínimo de sensatez e senso lógico: a captura e morte do terrorista saudita Osama Bin Laden.

Era apenas uma discussão totalmente informal e sem maiores pretensões. Nunca passaria pela minha cabeça comentar aqui sobre o assunto, pois o fato aconteceu faz algum tempo e já é notícia velha. Isso até ontem. 

Ontem (15/02/13) li uma notícia um tanto quanto perturbadora e que tem conexão direta com minha conversa. Li que mais de 20 membros da unidade SEALs que participaram da ação contra Bin Laden morreram. A notícia circulou em vários blogs (link) e no jornal britânico The Guardian.

Se você não leu nem viu nada a respeito, vou dar um breve resumo da matéria.

Segundo o que consta, 21 integrantes da Unidade 6 dos Navy SEALs (mais da metade da equipe envolvida) estão mortos. Desses, 20 morreram em 6 de agosto de 2011 devido a queda de um helicóptero durante um combate no Afeganistão, e 1 deles teria cometido suicídio no dia 22 de dezembro passado, justamente o comandante da operação, Job Price.  

Basicamente é isso.

Agora, algumas considerações devidas:

- A Navy SEALs (que significa Sea Air and Land Teams, ou seja, uma equipe que opera tanto no mar, como no ar e terra) é uma unidade de elite da marinha americana, sendo o principal corpo de operações especiais das forças armadas americanas. É altamente treinada e opera desde a 2ª Guerra Mundial (na época era UDT – Underwater Demolition Teams), operando desde então, nos principais conflitos em que os EUA estiveram envolvidos. 

- O treinamento dos SEALs é extremamente complexo, rigoroso e exigente. A 1ª fase leva 25 semanas e é dividida em 3 etapas. A 1ª é condicionamento básico, onde o candidato a SEAL é testado fisicamente durante 8 semanas, sendo treinado no Alaska, selva tropical e deserto. Depois vem um período de 8 semanas em  mergulho e outro, de 9 semanas em combate terrestre. A segunda fase é um treinamento tático de 4 meses que inclui reconhecimento hidrográfico, comunicações, medicina de campanha, operações aerotransportadas, mergulho de combate, combate terrestre e operações marítimas (navegação oceânica de longo alcance) e submarinas (infiltração/exfiltração).

- Qual a chance de um helicóptero transportando 20 soldados que participaram da operação que capturou Bin Laden seja abatido em combate e todos os 20 morram?

- Devido à formação e as constantes pressões físicas e psicológicas que sofrem durante o treinamento e missões, qual a probabilidade de alguém altamente treinado e experiente como o comandante da operação cometer suicídio?

 - Não foi mencionado, mas os outros 19 integrantes da ação contra Bin Laden eram da CIA e não das forças armadas;

- As circunstâncias que cercam a captura e morte de Osama Bin Laden são um tanto quanto nebulosas.

Sempre achei essa história sobre o caso Bin Laden um tanto quanto fantástica. Não por achar impossível que as forças americanas conseguissem algum dia localizá-lo ou algo do gênero, mas sim pelo como tudo aconteceu.

Foi uma operação altamente secreta, é claro. Até aí, tudo certo. O problema foi o desenrolar da coisa. Os caras capturam o terrorista mais perigoso e procurado do mundo. Inimigo público nº 1 dos EUA, e então simplesmente matam o cara e jogam o corpo no mar para não ofender os muçulmanos?! Sou apenas eu, ou mais alguém aí acha isso um total despropósito?!

Lembram-se do Saddam? Não era mais o inimigo nº 1 e mesmo assim foi caçado, exposto à execração em praça pública e enforcado sem piedade. E o Kadafi? Todo mundo viu o vídeo de seus últimos instantes.

Por que iriam aliviar para o Bin Laden? E quem deu a ordem para executar e depois dispensar o corpo?

Evidentemente que o corpo ou o próprio Bin Laden seriam um troféu de guerra formidável.

Cadê a prova física? Só mostraram uma foto de um barbudo com a cara toda ensanguentada e totalmente irreconhecível.

Outra coisa muito estranha é que essa operação super bem sucedida e sem provas se deu em um momento político importante de pré-campanha eleitoral, onde o Obama não estava nada bem, com sua popularidade caindo mês a mês. 

Que momento mais oportuno, não?! Coincidência?

Agora vem essa notícia da 21ª morte relacionada ao caso. É brincadeira.


Está parecendo o caso Celso Daniel, onde 7 pessoas envolvidas direta ou indiretamente já morreram (5 assassinadas). Detalhes no Reinaldo Azevedo.

Que pensar disso tudo? Os antiamericanos e detratores dos EUA de plantão sempre dizem que os caras são capazes de tudo para defender seus interesses. Parece que sim mesmo. Até na administração do “democrata bonzinho” Obama.

Vamos ficar no aguardo e ver se algum membro da CIA que participou da operação também aparece morto.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Discoteca Básica de Rock Volume V Parte III



Continuando os posts sobre os festivais mais importantes de Rock, trato aqui de mais 5 discos de bandas que estiveram em Woodstock em 69.

São eles:

Joe Cocker – With a Little Help From My Friends (1969)

A carreira de Joe Cocker só decolou mesmo em Woodstock, com uma apresentação magistral de With a Little Help From My Friends do Sgt. Pepper’s, dos Beatles. Ele conseguiu, com a ajuda do multifacetado produtor/compositor/cantor/instrumentista Leon Russell, emplacar 3 discos excelentes em sequência: este (With a Little Help From My Friends), Joe Cocker! e Mad Dogs and Englishman, mas depois decaiu absurdamente por conta de um sério problema com a bebida.

With a Little Help From My Friends é um dos melhores discos de estreia de todos os tempos, contando com um time de nomes de peso como Jimmy Page (Led Zeppelin), Steve Winwood (Traffic), Chris Stainton (Spooky Tooth) entre outros. A seleção musical também é de arrepiar com composições dos Beatles, Traffic, Bob Dylan além do próprio Joe Cocker. Considero esse um disco praticamente perfeito e indispensável em qualquer discoteca que se preze. 



Ten Years After – A Space in Time (1971) 

Essa é uma grande banda inglesa com base em rock-blues e centrada em seu líder, vocalista e guitarrista Alvin Lee. Fizeram uma apresentação sensacional em Woodstock tocando entre outras, uma versão de 9 minutos de I’m Going Home, do segundo disco chamado Undead.

A Space in Time é o sétimo trabalho dos caras e forma, juntamente com Ssssh, Stonehenge e Cricklewood Green o que de melhor foi produzido por eles. Foi também seu maior sucesso comercial, puxado pela excelente I’d Love to Change the World. Esse disco foi o 1º gravado pela Columbia, o que se traduz em uma produção maior, porém soando mais cristalino e mais leve que os anteriores. 

Conheço o Ten Years After desde minha adolescência, então acredito que seja uma banda razoavelmente bem conhecida aqui no Brasil, por quem se interesse por Rock de qualidade e sem frescuras.



Blood Sweat and Tears – Child is Father to the Man (1968) 

Se você nunca escutou e nem ouviu falar de Blood, Sweat and Tears, já vou avisando de que não se trata de uma típica banda de Rock. Idealizado por Al Kooper, um amante do Jazz, o grupo tinha a ambição de misturar linhas de metais como sax e trompete juntamente com os elementos tradicionais elétricos como guitarra e baixo. A sonoridade original era uma mistura de Rock, Jazz, Soul e R & B.

O nome surgiu devido a um corte na mão, durante uma jam session, em que Kooper ensanguentou todo seu teclado.

Kooper deixou a banda logo após esse primeiro trabalho no começo de 68. Após isso, o grupo se reformulou e adotou, logo no álbum seguinte, uma linha mais suave e melódica e consequentemente de mais fácil audição.

Por isso trato aqui do 1º e mais original disco dos caras, absolutamente indispensável.



Crosby, Stills and Nash – Crosby, Stills and Nash (1969)

Outro caso de supergrupo de Rock. David Crosby vinha do The Byrds, Stephen Stills do Buffalo Springfield e Graham Nash do The Hollies. 

O que dá para afirmar sem medo aqui é que esse é um disco fantástico. Perfeito. Todas as músicas são boas. 

Um aspecto extremamente importante aqui é o fato de que o vocal do grupo é dos melhores de todos os tempos no Rock, só encontrando paralelo, quando cantado em conjunto, com os Beach Boys.

Esse é um disco onde imperam os arranjos acústicos. É muito orientado para o Folk-rock, sendo suas composições sempre extremamente bem trabalhadas. Suas melodias e harmonias são simplesmente atemporais. 

Com certeza absoluta um dos melhores discos de Rock de todos os tempos e um documento definitivo de sua época.

Apenas como curiosidade, foi em Woodstock que os caras tocaram juntos ao vivo pela 1ª vez.



Crosby, Stills, Nash and Young – Déjà Vu (1970)

Aqui você vai querer me perguntar se eu enlouqueci, colocando 2 discos dos mesmos caras na sequência. Calma, a coisa não é bem assim.

Embora a base de Crosby, Stills e Nash seja a mesma, com a entrada de Neil Young (ex-companheiro de Stephen Stills no Buffalo Springfield) a coisa muda de figura.

É a mesma banda, mas ao mesmo tempo não é. Adquire personalidade própria. Tanto é assim que Déjà Vu é considerado o 1º disco de Crosby, Stills, Nash e Young e não o segundo de Crosby, Stills e Nash com participação especial de Neil Young, entendeu?

Tudo que foi dito sobre o disco acima pode ser aplicado a esse também. Praticamente perfeito. 

Obrigatório.

Músicas-chave: Almost Cut My HairHelpless, e Déjà Vu.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Big Brother Brasil 13

Terça-feira passada, dia 08 de janeiro de 2013 iniciou-se mais um capítulo vergonhoso na história da televisão brasileira: a estreia da 13ª edição do famigerado Big Brother Brasil, vulgo BBB. Mais uma vez, os brasileiros, principalmente aqueles que não sabem assistir nada que não seja a Globo, serão submetidos a 3 meses ininterruptos de torturas e abusos intelectuais.

Não sei como é que alguém que tenha pelo menos meio cérebro consegue aturar essa porcaria. Que espécie de idiota se dá o trabalho de assistir um programa cujo tema é a absoluta ociosidade e inutilidade de um bando de desconhecidos que não acrescentam nada a ninguém? O pior de tudo é que esse é o 13º ano consecutivo que essa aberração está sendo transmitida. 

Esse ano (não sei se isso já havia ocorrido em alguma outra edição), a produção do programa achou por bem chamar novamente alguns ex-participantes para dar uma maior dinâmica na coisa. Só posso entender isso como sendo uma prova ímpar de que o nível dos candidatos é baixíssimo e não conseguiram encontrar mais nenhum marombeiro ou periguete minimamente passáveis para compor o circo.

Para você ter uma ideia do quão esdrúxula é a situação, no último sábado, o bobalhão Bambam, que parece ter sido o campeão da 1ª edição, não aguentou a palhaçada e pediu para sair no melhor estilo do Capitão Nascimento. Não conseguiu ficar nem uma semana sequer.

Antes que comecem a me avacalhar aqui e dizer que se sei dessas coisas é porque estou acompanhando etc. e tal, podem economizar energia. Já tinha a ideia de escrever a respeito. Queria ter escrito logo no dia seguinte da estreia, mas fui traído pela conexão 3G.

Voltando a saída de Bambam, o fato foi tão inesperado pela sempre previdente produção da Globo, que até o apresentador da “atração” foi ao Fantástico no dia seguinte para dar uma explicação, que de tão esfarrapada não convenceu nem os mais crédulos eleitores do PT. 

Por falar no apresentador, que papelão desse Pedro Bial. Esse cara já tentou ser um jornalista sério. Mas que decadência. Para alguém que uma vez entrevistou o filósofo Olavo de Carvalho, ser agora animador de auditório do Big Brother é o fundo do poço. Evidentemente que não é o fundo do poço financeiro, afinal acredito que esteja recebendo muito bem. A dignidade certamente deve ter um preço altíssimo.

Mas o pior não é nada disso. Nem o Pedro Bial, nem o Bambam, nem as periguetes. O pior de todos é aquele que assiste e dá a audiência que justifica a repetição ano a ano desse verdadeira insulto. 

Mas, mesmo dentro desse grupo, há os que conseguem se destacar de maneira ainda mais negativa. Não é o telespectador ordinário que senta em frente a TV e desliga seu raciocínio, nem aquele que simplesmente não consegue assistir outro canal que não seja a Globo. Não. Os piores são aqueles que perdem tempo e dinheiro votando pela saída desse ou daquele. Mas ainda piores são os que assinam o pay-per-view e acompanham em tempo real, 24 horas por dia, 7 dias por semana, durante 3 meses, o desenrolar vazio do dia a dia de uma cambada de desconhecidos que, quando saírem dali, (com exceção de uma meia dúzia juntando todas as edições) continuarão tão desconhecidos como quando entraram.

É isso.

Muito ácido para um post de quem voltou das férias?! Que nada, se prepare que daqui a um mês tem o carnaval. 


De Volta

Dia 14 de janeiro de 2013 e conforme prometido estou de volta das férias. 

Como relatei durante meu período de ausência, tive imensas dificuldades com acesso à internet. O 3G se recusou solenemente a funcionar e as lan houses a preços extorsivos praticamente impossibilitaram novas postagens.

Volto ao rítmo normal de pelo menos 1 post diário e hoje mesmo publicarei algo abordando um tema bastante popular.

Aguardem. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

On the Road


Admito que nessas férias tenho assistido muitos filmes, o que, aliás costumo fazer com frequência quando saio de férias.

Ontem assisti ao filme On the Road (acho que o título em português é Na Estrada), do diretor brasileiro Walter Salles. O filme, para quem não sabe, é baseado no romance homônimo e claramente autobiográfico do escritor americano Jack Kerouac.

Alguém aí já leu? Comprei esse livro há mais de 10 anos atrás e não consegui lê-lo inteiro. Acho que nem cheguei à metade. Não consegui ter empatia por nenhum dos personagens. É possível ter alguma leitura minimamente satisfatória sem sentir empatia pelos protagonistas?

Assim, quando saiu o filme, fiz questão de assistir. Sempre quis entender a importância e dimensão que dão ao livro e achei que com o filme conseguiria.

Antes de fazer algumas considerações a respeito, vou fazer um breve resumo do filme em si. Se você ainda não assistiu nem leu o livro e tem interesse em fazê-lo, então é melhor parar de ler, pois vou resumir o filme e contar seu final, que é fundamental para que se possa entender a coisa.

O filme basicamente mostra um período de uns 2 anos na vida de Dean e Sal no final dos anos 40 e começo dos 50. Dean é um bêbado imprestável completamente irresponsável e inconsequente. Sal, que é escritor, também é, porém um pouco menos, mas por outros motivos. Dean e Sal passam o filme todo bebendo, se drogando e viajando.

A história começa quando Sal e Dean se conhecem, logo após a morte do pai de Sal. Isso é um componente muito importante na história, embora tenha sido pouco aprofundado. Entendi que a perda do pai foi um episódio importante na vida de Sal. Foi o que deu o start para sua jornada de excessos em busca de algo que nem ele sabia bem o que era. No final a gente entende que na verdade, o que ele busca, é sua própria identidade. Parece idiota, piegas e clichê, mas não é. Nem um pouco. Nem de longe.

Quando não estão juntos na estrada, Sal e Dean, estão indo um a procura do outro. Nessa, eles acabam cruzando o país pelo menos 2 vezes. Nessas viagens outros personagens secundários aparecem, como outros amigos dos caras, Carlo, Ed, Bull e as garotas Marylou, Camille e Terry, que acabam se envolvendo com Sal e Dean. O fato mais relevante aqui é que Sal acaba gostando mais do que devia de Marylou que é a namorada favorita de Dean.

Outro fator interessante e fundamental para se entender corretamente o filme é a conversa entre Sal e Bull, onde esse alerta Sal que Dean é um egoísta autodestrutivo que exige tudo de quem o cerca e não oferece nada em troca.

Nessa jornada sem destino (nenhuma referência aqui ao filme Easy Rider), Dean, Sal e qualquer um que os acompanhe vão indo sem motivo nem objetivo algum, tanto é que quando finalmente chegam onde queriam, tratam de voltar para seu local de origem. A parte boa, é que a viagem se dá na maior parte do tempo a bordo de um Hudson 1948 muito legal e sempre em alta velocidade. Dean só dirige no pau. Durante todo o trajeto que fazem, Sal vai tomando notas de tudo que experimenta para escrever seu livro.

Quando finalmente retornam a Nova Iorque, seu ponto de partida, Sal, que ainda não conseguiu escrever uma linha sequer, resolve ir até o México. Dean acaba indo com ele, dessa vez a bordo de um Ford 46. No México eles acabam cometendo os maiores excessos com bebidas, drogas e prostitutas mexicanas da pior estirpe. Aqui, Sal acaba ficando muito doente. Dean, como havia alertado Bull, volta para os EUA para resolver seu divórcio com Camille e larga Sal na roubada, doente e sem dinheiro, em algum buraco mexicano esquecido por Deus.

Uns meses depois, Dean procura Sal novamente, sendo que Dean se apresenta totalmente estropiado pelo abuso de álcool e drogas. Nesse momento Sal está de saída para uma apresentação de Jazz (a trilha sonora é demais, com Jazz da melhor qualidade o tempo todo). É claro que depois de abandonado por Dean no México, Sal não é mais o mesmo. Ele descarta Dean prontamente, se dando seu segundo start fundamental. A partir da ruptura com Dean ele finalmente consegue escrever. Aqui termina o filme.

Agora, por que motivos esse livro foi tão importante e desencadeou todo um movimento cultural nos anos 50 – o movimento Beatnick?!

Os EUA não passava por nenhuma turbulência nessa época. A não ser que a gente considere que a narrativa remonta a 1947, apenas 2 anos após o fim da Segunda Guerra. Sempre que acaba um período de alta tensão como é um período de guerra, abre-se espaço para os excessos. Foi assim nos chamados “Loucos Anos 20”, também período pós-guerra e talvez tenha sido o caso aqui.

Li uma vez, uma opinião do saudoso Paulo Francis, em que ele sustentava que o fato de que, quando Kennedy e Khrushchov chegaram a uma solução pacífica para a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, o resto do mundo pôde respirar aliviado. Todos teriam entendido que o  fim do mundo, através de uma guerra nuclear não era inevitável, dando início aos excessos dos anos 60. Discordo humildemente de Francis, entendendo que a coisa é um pouco mais antiga.

Não sei se alguém vai concordar comigo, mas foi aqui, com esse livro e seus desdobramentos culturais e comportamentais que foi aberta a caixa de Pandora da contracultura, contestação e todas as correntes ideológicas e sociais que chegariam à maturidade nos anos 60.

O que vivemos hoje, para o bem e para o mal, é consequência direta desses movimentos culturais, e, na minha modesta opinião, esse terreno começou a ser arado com a publicação de On the Road em 1957.   
  
O que você acha?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tipinhos Imprestáveis III

Continuo em férias e como já disse em meu post “Réveillon 2013”, as coisas estão um pouco difíceis por aqui em termos de conectividade à internet. O 3G não funciona em hipótese alguma e também não consigo acesso pelas redes sem fio disponíveis gratuitamente. Acabo ficando nas mãos de algumas lan houses exploradoras.

Já escrevi sobre 2 tipos de pessoas altamente detestáveis, a quem chamei de Tipinhos Imprestáveis.

Não escrevo regularmente sobre os “tipinhos”, pois tenho alguns posts fixos e outros assuntos que considero mais relevantes. Acontece que, como esse ano resolvi me punir um pouco e passar a virada de ano na praia, me deparei com a pior espécie de pessoa que pode habitar nosso planeta. Sem exagero.

Na verdade nem sei se deveria considerar essa gente como tipinhos imprestáveis. O tipinho imprestável até pode ter sua graça ou até mesmo algum valor. Esse não. Não presta, não vale nada, não serve para nada. É como um vírus.

Outra dificuldade é a de dar um nome a ele. É inominável. Qualquer adjetivo, por mais pejorativo que seja, é um enorme elogio a essa praga que só se alastra. São os caras (e as meninas também) que só saem de sua toca uma ou duas vezes por ano, no ano novo e ou carnaval, e, é claro que por conta disso, resolvem aproveitar tudo que acham que tem direito em 1 ou 2 dias.

É uma ralé, uns vagabundos, uma gentalha nojenta totalmente desqualificada. Na falta de um nome mais apropriado vou chama-los simplesmente de desgraçados.

Não estou me referindo aqui às pessoas que aproveitam os feriados para viajar e descansar merecidamente com a família depois de um ano de correria. Estou me referindo justamente àqueles que não deixam essas pessoas descansarem. São os desgraçados.

Tenho certeza de que todos vocês já se depararam com essa peste. Funciona assim:

- Os desgraçados chegam sempre em bando. Os que são apenas 2 ou 3, pode apostar que, em pouco tempo, já estarão agrupados com outros de sua laia.

- Como eles não tem dinheiro para gastar, trazem sempre um estoque interminável de bebida alcoólica barata para embalar suas arruaças.

- Além disso, estacionam seus carros com uma sonzeira absurda que certamente consumiu 24 meses de seu salário.

Esse aspecto do som do carro é muito importante para o desgraçado, pois quanto mais alto tocar, mais ele consegue nos impor seu gosto musical escroto que inclui verdadeiras “maravilhas sonoras” como axé, pagode, sertanejo (universitário) e, como não poderia deixar de ser, a famigerada baixaria do funk. Aliás, aqui é bom fazer um aparte esclarecedor que acredito seja necessário: na realidade, essa nojeira que chamam aqui no Brasil de funk, é um lixo da pior qualidade importado dos Estados Unidos e chamado Miami Bass Sound. Como tudo aqui no Brasil, foi batizado de maneira totalmente incorreta.

Aqui começa o inferno. O desgraçado estaciona sua caranga na beira da calçada, abre todas as portas e janela possíveis, liga o som no máximo, saca as cervejas e toca o terror.

Como não tem outro objetivo a não ser perturbar a ordem pública, o desgraçado começa a entornar uma atrás da outra, o que vai lhe dando mais animação e confiança. Não demora muito e já está molestando os transeuntes, principalmente meninas e mulheres.

O próximo passo é avacalhar com quem passa de carro. Fecham a rua e só permitem a passagem após dançarem na frente, se pendurarem ou subirem no capô do mesmo. E assim vai um atrás do outro, uma cerveja atrás da outra.

Aqui no litoral paranaense é sempre assim. Não sei em outras regiões do país, mas acredito que essas cenas se repitam com alguma frequência por aí.

Esse ano a coisa foi assim nos dias 30 e 31 de dezembro. A bandalheira correndo tranquila e solta até as 04:00 da manhã.  A partir daí a coisa acabou como um milagre.

“Será que os marginais se tocaram do papelão que faziam e simplesmente foram embora?” você me pergunta.

Resposta: não. O que ocorreu foi a PM mesmo.

Aqui a atuação da PM em relação aos desgraçados vagabundos foi exemplar, inclusive tocando a cavalaria em cima. Dispersaram as centenas de baderneiros e limparam toda orla. Coisa linda. É muito legal de assistir os babacas que estavam até uns minutos atrás enchendo e intimidando todo mundo que passava, fugirem como ratos quando chegou a PM.

Dia 1° e janeiro a praia já estava bem mais vazia e, como um passe de mágica, toda a zona acima descrita simplesmente não aconteceu.

Daqui para frente, a tendência é que as coisas fiquem mais tranquilas, quando ficam mais as famílias e quem quer um pouco de paz. A festa da galera fica restrita aos bares e baladas locais e tudo fica em seu devido lugar.